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Do narcotráfico à defesa da soberania: é assim que EUA e México se usam como isca
Do narcotráfico à defesa da soberania: é assim que EUA e México se usam como isca
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As tensões entre EUA e México têm nos últimos meses orbitado nas questões de segurança e soberania. A Casa Branca ameaça realizar operações especiais... 25.09.2026, Sputnik Brasil
2026-09-25T02:20-0300
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O mais recente atrito discursivo entre México e Estados Unidos com a mensagem do presidente dos EUA, Donald Trump, diante da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na qual classificou o Estado mexicano como o "epicentro da violência dos cartéis".A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que estão sendo realizados trabalhos bilaterais para o combate ao crime organizado e respondeu ironicamente a Washington:O segundo governo do republicano Trump tem sido marcado pela polarização e as declarações sobre o México o ajuda a manter posicionamento político junto à sua base eleitoral mais dura, apontou em conversa com a Sputnik o doutor em ciência política e acadêmico da Universidade Autônoma do Estado do México, Aldo Muñoz. Assim, segundo o analista, a veracidade das declarações de Trump a respeito do México fica em segundo plano:Doutor em ciência política e acadêmico da Universidade Nacional Autônoma do México, Irwing Rico disse à Sputnik que Trump chegou ao poder com uma imagem de "homem forte e do tipo que resolve". No entanto, refletiu o especialista, essa imagem se desfocou e os republicanos parecem enfrentar um cenário complexo rumo às eleições de novembro deste ano, enquanto relatos de meios locais colocam a popularidade de Trump em apenas 32%.De acordo com o analista internacional, apesar das ameaças, os EUA "estão longe de executar uma intervenção aberta em território mexicano", mas o país norte-americano leva décadas com práticas de ingerência velada no país latino-americano.'Ao Governo do México ajuda em sua legitimidade'Quanto ao México, Muñoz expressou que, atualmente, a Administração local tem três pontos fortes que lhe somam politicamente falando: os programas sociais, sua forma de comunicar e seu discurso que exalta a soberania, defesa dos recursos naturais, do território e das fronteiras:Este último ponto, analisou, tem sido fortalecido graças às declarações do presidente estadunidense, que no México não tem uma imagem favorável.
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Do narcotráfico à defesa da soberania: é assim que EUA e México se usam como isca
As tensões entre EUA e México têm nos últimos meses orbitado nas questões de segurança e soberania. A Casa Branca ameaça realizar operações especiais unilaterais no país vizinho contra o narcotráfico e o governo do país latino-americano acusa Washington de hipocrisia.
O
mais recente atrito discursivo entre México e Estados Unidos com a mensagem do
presidente dos EUA, Donald Trump, diante da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na qual classificou o Estado mexicano como o
"epicentro da violência dos cartéis".A
presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que estão sendo realizados trabalhos bilaterais para o combate ao crime organizado e respondeu ironicamente a Washington:
"Eu poderia dizer: 'É muito difícil viver ao lado de um país que tem um nível tão alto de consumo de drogas', ou poderia dizer: 'É muito difícil viver ao lado de um país que tem tanta produção de armas', mas não vou dizê-lo, porque temos boa relação com o presidente, também com o governo dos EUA", respondeu.
O segundo governo do republicano Trump tem sido marcado pela polarização e as declarações sobre o México o ajuda a manter posicionamento político junto à sua base eleitoral mais dura, apontou em conversa com a Sputnik o doutor em ciência política e acadêmico da Universidade Autônoma do Estado do México, Aldo Muñoz.
"Isso lhe rende muito dentro de seu público [...], o que se pode considerar o núcleo duro dos seguidores de Trump e que crê fervorosamente nesse discurso e requer que ele o alimente permanentemente", disse.
Assim, segundo o analista, a veracidade das declarações de Trump a respeito do México fica em segundo plano:
"Não importa o quão certo, ou falso, seja. Não importa que tenha provas, ou não, contra os políticos mexicanos. Isso é irrelevante. O relevante é que há um grupo importante de pessoas que precisa ouvi-lo e, por sua vez, que lhes dê elementos para poderem replicá-lo, e se tornam caixas de ressonância", explicou.
Doutor em ciência política e acadêmico da Universidade Nacional Autônoma do México, Irwing Rico disse à Sputnik que Trump chegou ao poder com uma imagem de "homem forte e do tipo que resolve". No entanto, refletiu o especialista, essa imagem se desfocou e os republicanos parecem enfrentar um cenário complexo rumo às eleições de novembro deste ano, enquanto relatos de meios locais colocam a popularidade de Trump em apenas 32%.
"É verdade que apontar constantemente o México e a América Latina em geral, mas particularmente o México como culpado pelos males em torno do narcotráfico e da segurança, sim, respondem a um discurso eleitoreiro, que o que busca é reconectar-se com uma população", indicou.
De acordo com o analista internacional, apesar das ameaças, os EUA "estão longe de executar uma intervenção aberta em território mexicano", mas o país norte-americano leva décadas com práticas de ingerência velada no país latino-americano.
'Ao Governo do México ajuda em sua legitimidade'
Quanto ao México, Muñoz expressou que, atualmente, a Administração local tem três pontos fortes que lhe somam politicamente falando: os programas sociais, sua forma de comunicar e seu discurso que exalta a soberania, defesa dos recursos naturais, do território e das fronteiras:
Este último ponto, analisou, tem sido fortalecido graças às declarações
do presidente estadunidense, que no México não tem uma imagem favorável.
"Porque ela fala de ingerência, e cada ataque do Governo Trump para ela se torna algo positivo. Inclusive, faz parecer mal a oposição [local], que avaliza posturas de um Governo estrangeiro", sentenciou. "A forma como Trump faz declarações e como a presidente as expõe e responde a elas fez com que os mexicanos sintam que, efetivamente, Sheinbaum tem sido enérgica", completou.
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