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A Europa está fazendo tudo o que pode para impedir as negociações sobre a Ucrânia, diz Lavrov na ONU

© Sputnik / Sergey Guneev / Acessar o banco de imagensO ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, Serguei Lavrov, discursa durante a reunião realizada no âmbito da Semana de Alto Nível da 80ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque.
O ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, Serguei Lavrov, discursa durante a reunião realizada no âmbito da Semana de Alto Nível da 80ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. - Sputnik Brasil, 1920, 26.09.2026
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O Ocidente está colocando em risco a vida de bilhões de pessoas em todo o mundo, agindo de forma aventureira e imprevisível, afirmou o chanceler russo Sergei Lavrov, no debate sobre políticas gerais da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU, neste sábado (26).
O diplomata afirmou que uma condição para a resolução da situação em torno de Ormuz é a restauração da confiança entre os países árabes e o Irã.
"Acreditamos que o estabelecimento da confiança nas relações entre os Estados litorâneos do golfo [Pérsico], os países árabes e o Irã, é uma condição necessária para a resolução da crise", disse Lavrov.
Ele também mencionou a operação militar especial da Rússia na Ucrânia, afirmando que Moscou pretende levar a missão até o fim e que as ameaças à segurança da Rússia serão eliminadas independentemente das circunstâncias.
"Isso acontecerá apesar de quaisquer circunstâncias, inclusive da incapacidade da atual liderança da organização mundial de assumir a única posição correta na situação com a Ucrânia, uma posição que defenda os princípios da Carta da ONU, não seletivamente, mas em sua totalidade e em sua interconexão", enfatizou.
O chanceler destacou que a Ucrânia está violando os princípios fundamentais da Carta da ONU, como o respeito aos direitos humanos.
"O regime ucraniano viola abertamente um princípio fundamental da Carta da ONU, que é o respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais de todos, sem distinção de raça, sexo, idioma ou religião", disse Lavrov.
Ele frisou que a Europa está fazendo tudo o que pode para atrapalhar as negociações com a Ucrânia e que o Ocidente continua a armar o regime de Kiev.
"O Ocidente está fornecendo armas ao regime ucraniano, ajudando Kiev a lançar drones e mísseis contra civis e infraestrutura civil."
O chanceler acrescentou que a Organização do Tratado do Atlântico do Norte (OTAN) também tenta estender sua influência destrutiva para outras regiões.
"Uma paz duradoura só poderá ser assegurada quando a perigosa rivalidade entre as maiores potências mundiais chegar ao fim. Isso só será possível com base na estrita observância da Carta da ONU e do princípio da segurança igual e indivisível", disse o chanceler.
Ele destacou que esse princípio significa recusar-se a garantir a segurança de um Estado em detrimento da segurança de outros.
"Isso diz respeito, em primeiro lugar, à OTAN, que tenta expandir sua influência destrutiva muito além dos limites geográficos de sua área de responsabilidade, incluindo o Sudeste Asiático e o Nordeste Asiático."
O chanceler abordou ainda as ações dos EUA na América Latina. Ele sublinhou que a Rússia pede a libertação imediata do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, sequestrados e presos em uma ação militar norte-americana,
"Insistimos na libertação imediata do líder venezuelano e de sua esposa, e na não repetição de tais excessos no futuro", disse Lavrov.
Ele também denunciou a agressão contra Cuba, afirmando que a ilha enfrenta uma agressão multidimensional por parte do governo dos Estados Unidos, uma hostilidade permanente, abusiva e flagrante que já dura sete décadas.
"Reafirmamos nossa solidariedade ao povo e ao governo cubanos. Exigimos veementemente o levantamento do bloqueio contra a ilha da liberdade, a eliminação de todas as restrições ao comércio com Cuba e a remoção do país da lista, há muito extinta, de Estados patrocinadores do terrorismo", disse Lavrov.
Lavrov abordou a questão da Palestina, alertando que o agravamento da situação pode, em breve, tornar impossível a criação de um Estado.
"Estamos convencidos de que chegou a hora de resolver o principal problema do Oriente Médio: garantir a criação de um Estado palestino, com base em inúmeras decisões da ONU. Há quase um ano, o Conselho de Segurança, por iniciativa dos Estados Unidos, aprovou um plano de paz para a Faixa de Gaza, mas a paz ainda não chegou."
Ele ressaltou que a situação também está se deteriorando na Cisjordânia, onde Israel está expandindo suas atividades de assentamentos.
"E se isso continuar, a criação de um Estado palestino será impossível. Simplesmente não haverá espaço para isso."
Antes do discurso, Lavrov teve uma bilateral com seu homólogo alemão, Johann Wadephul, na qual foram discutidas as relações entre Rússia e Alemanha e a situação na Ucrcânia. A representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse que o encontro entre ocorreu por iniciativa da Alemanha.
O encontro foi o primeiro de Lavrov com um chefe do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha desde 2022, quando Annalena Baerbock ocupava o cargo.
Zakharova criticou a postura de Wadephul na reunião, afirmando que ele "suprimiu vergonhosamente" o relatório do Tribunal Público Internacional para Crimes de Neonazistas Ucranianos sobre o incidente de Bucha.
Ela disse que o relatório, intitulado "Herdeiros de Goebbels: A Falsificação dos Eventos em Bucha e a Encenação Sangrenta do Regime de Kiev", estava na mesa de negociações dos chefes dos Ministérios das Relações Exteriores da Rússia e da Alemanha .
"Wadephul cobriu o relatório timidamente com um bloco de notas e fingiu não ter notado nada, e a comparação com Goebbels pareceu deslocada. Mas tudo é perfeitamente óbvio para todos, e 'a verdade dói'", escreveu Zakharova em seu canal no Telegram.
Zakharova também destacou o entusiasmo com que Lavrov foi recebido deposi de discursar, e disse que o chanceler, após seus discursos na Assembleia, é tradicionalmente cumprimentado por dezenas de diplomatas com apertos de mão e agradecimentos à Rússia.
"A agitação de sempre: Sergei Lavrov é recebido na saída do plenário da Assembleia Geral por dezenas de diplomatas que querem apertar sua mão e agradecer à Rússia", escreveu ela.
Lavrov concedeu uma coletiva a repórteres após o discurso na qual disse estar surpreso com o fato de o direito à autodeterminação nas Nações Unidas se aplicar à Groenlândia, mas não à Crimeia.
"Perguntei a [António] Guterres, com quem me encontrei anteontem, por que não se menciona a opção do direito à autodeterminação em relação à Ucrânia, ao menos uma opção? Ele respondeu: 'Estamos pensando nisso há muito tempo, e são coisas diferentes.' Em que são diferentes?", questionou o chanceler..
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