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Lula propõe que ministros do STF sejam eleitos por conselho para 'envolver a sociedade civil'

© Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência BrasilDa esquerda para a direita: o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes
Da esquerda para a direita: o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes - Sputnik Brasil, 1920, 27.09.2026
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu em entrevista neste domingo (27), que as indicações para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) sejam feitas por um conselho para que sociedade civil participe do processo.
Em entrevista gravada para TV Bandeirantes no Palácio da Alvorada nesta manhã, ele comentou que é preciso mudar o critério de indicação para aumentar a coerência e responsabilidade da atuação dos magistrados da Suprema Corte.
"Quero mudar o critério de escolha, porque o critério de escolha é muito vulnerável. Acho que temos que criar um critério para envolver a sociedade civil para que a gente indicar alguém que não seja da vontade do presidente", disse ele "Tem que ser alguém que passe por um crivo de um colegiado que a gente vai ter que pensar como criar para aquela pessoa não seja um cara indicado pelo presidente", opinou.
Ele também criticou a postura de ministros após assumirem o cargo:
"Uma coisa é quando você indica, outra coisa é quando bota toga. E quando o cara coloca a toga, ele vira Deus [...] Um ministro não pode querer ficar rico, é incompatível a função de quem recebe R$ 43 mil e ficar rico, não é compatível. Da mesma forma que o deputado. Nenhum salário de deputado, de governador, de presidente, pode deixar alguém rico", afirmou.
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Fim do fundo eleitoral

Na mesma entrevista, o presidente brasileiro também defendeu o fim do fundo eleitoral. Ao admitir que apoiou a criação dos fundos partidário e eleitoral, disse que o fundo como está posto "apodreceu" a política.

"Hoje eu sou contra. Eu sou contra, porque isso apodreceu a política. Mais o orçamento secreto, aí que apodreceu de vez a política. Na hora de votar, o deputado pensa nele primeiro, pensa no mundo dele. E nós precisamos criar as condições de pensar um pouco nesse país, país dar chance às pessoas que querem novas entrarem na política, criar um partido que tem um programa para a gente saber o que aquele partido pensa. Hoje são interesses corporativos."

Lula ressaltou a urgência de uma ampla reforma nas regras do sistema partidário:

"Não é possível a gente continuar com o Congresso Nacional com 50% do orçamento da União. Não é possível. Então, tudo isso vai ter que mudar. Se eu não fizer, ninguém faz. A gente vai acabar com a polarização quando os partidos representarem, de fato, os lados da sociedade. Eles têm que representar uma parte do povo. É assim que se cria partido político", argumentou ele.

Trump: 'o problema é quem trabalha com ele'

A relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também foi tema na entrevista. O mandatário brasileiro disse que sempre teve boas conversas com seu homólogo estadunidense, mas que ele está mal assessorado.
"O problema é que o pessoal que trabalha com ele consegue ser muito ruim", criticou. "Eu digo para ele que o Marco Rubio [secretário de Estado] não gosta do Brasil, não gosta da América Latina, ou seja, ele é um anti-latino-americano. Mas as conversas que eu tive com o Trump foram todas boas".
Sobre os tarifaços impostos pelos EUA, ele minimizou os impactos das medidas nas importações brasileiras ao salientar a diversificação do mercado para outros países:
"Sabe o que aconteceu com a queda das nossas importações para os Estados Unidos? Nós caímos, sabe, 9,2% das nossas exportações. Sabe quanto aumentou para a China? 19%. Para a Indonésia, 15%. Para a Alemanha, 15%. Para o Vietnã, 13%. Para 57 países, a gente cresceu, em média, 10,5%. O nosso superávit saiu de 50 para 80 bilhões de dólares. Melhorou a exportação. Eu vou ficar chorando? Eu vou procurar outro parceiro", concluiu.
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