Após decisões judiciais, TV Globo cancela debate com presidenciáveis
20:49 01.10.2026 (atualizado: 00:33 02.10.2026)

© Foto / Manoella Mello / Globo
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A TV Globo anunciou na noite desta quinta-feira (1º) o cancelamento do debate entre os candidatos à presidência, marcado para às 21h30 de hoje. De acordo com a emissora, duas decisões judiciais trouxeram instabilidade jurídica para o evento.
"A Globo recebeu há pouco duas notificações relacionadas à realização do debate presidencial programado para esta noite, que interferem nas regras previamente acordadas, e decidiu por seu cancelamento."
A emissora aponta que uma das decisões que a fizeram suspender o evento foi assinada pela ministra Stella Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendendo a um pedido da coligação ligada à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva para a remoção do púlpito do petista, que não iria ao debate.
"A ata com as regras, assinada por todos os partidos, inclusive o PT, determina que, em caso de ausência do candidato, o púlpito reservado a ele seja mantido vazio no cenário, com uma placa que o identifique. E que, numa das rodadas de tema livre do debate, os candidatos presentes que assim desejarem formulem, em trinta segundos, o que fariam ao candidato que não compareceu."
A segunda notificação, proferida há poucas horas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, atende a um pedido da candidatura de Renan Santos (Missão), que pleiteava um espaço no debate da Globo, que seria o último na TV antes do primeiro turno das eleições, no próximo domingo (4).
"As regras que estabelecem que candidatos devem ser obrigatoriamente convidados para debates em rádio e TV são determinadas por lei e reguladas por portaria do Tribunal Superior Eleitoral: devem ser convidados obrigatoriamente os candidatos de partidos com representação de pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional. Em atendimento a essa regra, a Globo convidou para o debate os candidatos: Augusto Cury, do Avante; Flavio Bolsonaro, do PL; Ronaldo Caiado, do PSD; e Lula, do PT."
A Globo também citou a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que deu direito ao Novo de ser representado por Romeu Zema. O partido elegeu três parlamentares nas eleições de 2022, mas contou com a coligação de outros três ao longo dos últimos anos, ultrapassando os cinco congressistas estabelecidos na regra.
"A Globo tem longa tradição na organização de debates eleitorais. Nosso propósito é promover a discussão de ideias para o Brasil e oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos. Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais."
Mais cedo, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que não participaria do encontro. A decisão foi comunicada nas redes sociais depois que a ministra Aranha proibiu a emissora de exibir o púlpito vazio. O senador atribuiu a desistência à decisão da Justiça Eleitoral e afirmou que a medida representa "censura imposta ao evento pelo TSE". Na publicação, o candidato declarou que "a imprensa tem que ser livre e as eleições limpas".
A ministra também determinou que os demais candidatos não poderiam fazer perguntas direcionadas a Lula durante o debate. Segundo a ministra, a legislação eleitoral não obriga os candidatos a comparecer aos debates, e manifestações dirigidas a um concorrente ausente poderiam provocar desequilíbrio entre os participantes.
Com as mudanças, o debate contaria, além de Renan Santos, com Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante). O candidato do Missão, no entanto, não conseguiu entrar nas dependências da emissora e utilizou as redes sociais para protestar.
Candidatos criticam Justiça
Sem a continuação do debate, Caiado, Zema e Cury, que já estavam nos estúdios da TV Globo, foram conversar com a imprensa. Todos os candidatos criticaram a Justiça, sobretudo o STF.
Zema declarou que o Judiciário está fazendo política. O ex-governador de Minas Gerais afirmou que a Justiça brasileira está a serviço de Lula, que lidera as pesquisas de intenção de voto.
"Faltando poucos minutos, uma decisão judicial sem pé nem cabeça, ao meu entender, muda tudo. Um outro candidato desiste. E nós estamos vendo a Justiça a serviço do Lula, claramente."
Antes do início do debate, boatos de que Zema poderia desistir da campanha presidencial circularam na sala onde a imprensa aguardava o debate. Ao ser questionado se estes rumores eram verdadeiros, o candidato do Novo negou as especulações.
"O que mais tem acontecido é fake news. Vou completar 62 anos, nunca desisti de nada na vida no meio do caminho. Time que tá em campo, aos 40 minutos do segundo tempo, vai sair do campo? Vou levar até o final!"
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Caiado, por sua vez, declarou que o cancelamento do debate é uma vergonha e criticou Lula por estar em uma entrevista paralela ao horário em que seria o evento na TV Globo. O ex-governador de Goiás também protestou contra as decisões proferidas pelo TSE e STF, que atenderam à remoção do púlpito vazio de Lula e à participação de Renan Santos.
"Acredito que eles desejam chegar a um ponto que é a ditadura da toga, onde provavelmente eles querem se reunir entre eles e decidir quem deve ser o presidente da República."
O candidato do PSD relembrou a eleição pós-ditadura militar, em 1989, da qual Caiado fez parte. O ex-governador de Goiás relembra que, apesar do grande número de candidatos, havia debates e diálogos entre eles.
"De repente, ao invés de ter um cuidado maior com a democracia brasileira, você está vendo o contrário acontecendo no Brasil. Os responsáveis pelos poderes constituídos estão destruindo, levando esses poderes à ruína, ao descrédito, perante a sociedade brasileira."
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Já Cury afirmou que o STF ganhou um protagonismo "desproporcional" nos últimos anos, sendo o cancelamento deste debate mais um elemento no quadro da Corte brasileira.
"Essa insegurança jurídica tem que terminar. O STF é o alicerce da democracia, tem que ser discreto. Ninguém sabe o nome de um ministro da Suprema Corte americana. No Brasil, sabemos o nome de quase todos e fora do Brasil também. Na verdade, o STF ganhou um protagonismo completamente desproporcional. Beira o colapso da democracia."
O candidato do Avante também comentou sobre uma dependência do poder de concorrentes como Flávio e Lula.
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"Eles amam o poder acima da sociedade brasileira, e isto é uma crueldade. Eles não amam a nação brasileira. E você não destrói um povo quando o coração dele para de bater; você destrói um povo quando ele deixa de sonhar e ter esperança."


