China poderia perder influência na América Latina com as mudanças de governo na região?

© Foto / Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto
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A chegada ao poder de vários presidentes aliados a Washington poderia erodir a influência política de Pequim, mas dificilmente provocará uma ruptura comercial, afirma a imprensa ocidental.
Segundo relatos, a alta dependência das economias latino-americanas em relação às compras chinesas de matérias-primas e aos investimentos da China em infraestrutura atua como uma âncora que limita o alcance geopolítico das afinidades com Washington.
Essa reflexão surge a partir da vitória, em boa parte da região, de governantes alinhados aos Estados Unidos — e, mais especificamente, à administração republicana. Nesse contexto, são citados exemplos concretos, como o da Colômbia — onde o recém-empossado presidente Abelardo de la Espriella avalia sair da iniciativa Cinturão e Rota — e o de Keiko Fujimori, no Peru. Contudo, ressalta-se que, em ambos os casos, o peso da China como principal compradora de recursos, a exemplo do cobre, limita um distanciamento radical.
No caso do Brasil, destaca-se que o segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ) representa uma das maiores incógnitas para o equilíbrio regional. Apesar do cenário político, a imprensa ressalta que a China permanece como o principal destino das exportações brasileiras, concentrando cerca de 28,7% dos embarques em 2025 — o que evidencia como as complementaridades econômicas costumam se sobrepor à orientação ideológica dos governos.
Segundo especialistas, a relação bilateral migrou, gradualmente, de um modelo meramente complementar — baseado em insumos primários — para uma dinâmica mais competitiva em setores industriais e cadeias de suprimentos estratégicas.
Além disso, aponta-se uma distinção substancial entre a dependência do comércio e a dependência do capital chinês como um todo: enquanto Pequim absorve aproximadamente um terço das exportações minerais e agrícolas da região, seus fluxos de Investimento Estrangeiro Direto (IED) representam menos de 10% do total regional. Portanto, conclui-se que a presença do gigante asiático é de caráter predominantemente setorial e concentrada em ativos-chave.
Por outro lado, esses argumentos contrapõem tal conjuntura a dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), que mostram um crescimento notável nas exportações regionais para a China (24% no primeiro semestre de 2026), ao mesmo tempo em que destacam os esforços da região para diversificar seus mercados em direção à Índia e ao Sudeste Asiático. Por sua vez, as trocas comerciais com os Estados Unidos mantiveram-se dinâmicas, apesar das tarifas impostas pela administração de Donald Trump.


