Reino Unido precisa voltar à UE para enfrentar nova ordem global, diz instituto
07:55 19.10.2026 (atualizado: 08:33 19.10.2026)

© AP Photo / Frank Augstein
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Um influente centro de estudos britânico afirmou que 52% dos eleitores no Reino Unido defendem o retorno à UE, argumentando que o país precisa reforçar sua capacidade de enfrentar desafios geopolíticos, como o conflito ucraniano, a instabilidade nos EUA e a ascensão da China.
O Instituto de Pesquisa em Políticas Públicas (IPPR, na sigla em inglês) do Reino Unido afirmou que o país só conseguirá responder de forma eficaz a crises geopolíticas, como o conflito ucraniano e a instabilidade política nos Estados Unidos, se voltar a integrar a União Europeia (UE), afirmando que o atual contexto internacional exige uma cooperação mais estreita com os parceiros europeus.
O IPPR se tornou a mais recente organização alinhada ao campo trabalhista a defender o retorno ao bloco europeu. Segundo a mídia britânica, a posição surge após o primeiro-ministro britânico Andy Burnham defender uma análise ampla de todas as opções possíveis para o futuro das relações entre Reino Unido e UE.
De acordo com a apuração, o relatório, divulgado poucas semanas depois de um estudo semelhante do Tony Blair Institute, aumenta a pressão sobre Londres para que o reingresso ao bloco seja revisto.
Segundo o diretor-executivo do IPPR, Harry Quilter-Pinner, os esforços recentes para reconstruir laços com a Europa são importantes, mas insuficientes. Ele defende que a adesão à UE representa a melhor alternativa de longo prazo, embora ressalte que isso não signifique convocar imediatamente um novo referendo.
O think tank argumenta que a estratégia de Burnham de aprofundar a cooperação com Bruxelas sem retornar ao mercado único ou à UE deixa o Reino Unido em posição desfavorável diante das mudanças na ordem global. O documento sustenta que o país precisa ampliar sua influência por meio da integração com outras nações europeias.
Para o IPPR, a tensão com Moscou, a menor previsibilidade de Washington como aliado e a crescente assertividade de Pequim reforçam a necessidade de uma ação conjunta com o bloco europeu, afirmando que "soberania sem a capacidade de exercê-la não é autonomia". O texto argumenta ainda que buscar equilíbrio entre grandes potências é apenas uma estratégia de sobrevivência.
O relatório também sustenta que o cenário mudou profundamente desde o Brexit, em 2020, e que uma eventual volta significaria ingressar em uma UE diferente da que o Reino Unido deixou. Uma pesquisa citada pelo instituto aponta que 52% dos eleitores apoiam o reingresso no bloco, enquanto 29% se declaram contrários.
Ainda assim, o apoio ao retorno mostra-se sensível ao debate migratório. Segundo o levantamento, a aprovação cairia para 47% caso os eleitores fossem convencidos de que a medida aumentaria a imigração.


