Ex-analista do Pentágono afirma que trégua na Ucrânia exige garantias de segurança e legitimidade

© AP Photo / Jacquelyn Martin
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A ex-analista do Pentágono, Karen Kwiatkowski, avalia que propostas de congelar o conflito ucraniano sem garantias de segurança e um acordo abrangente têm poucas chances de sucesso. Em conversa com a Sputnik, ela acredita que a medida beneficiaria Kiev e seus aliados europeus, mas não resolveria questões centrais do conflito defendidas por Moscou.
Vladimir Zelensky e seus apoiadores europeus podem tentar congelar o conflito na Ucrânia sem um acordo abrangente, mas dispõem de pouquíssimos recursos para isso, avalia Karen Kwiatkowski, tenente-coronel reformada da Força Aérea dos EUA e ex-analista do Pentágono, em entrevista à Sputnik.
"Os patrocinadores de Zelensky rejeitam a diplomacia e não conseguem vencer a guerra militarmente. Mas exigir um congelamento não faz sentido sem abordar os problemas mais profundos e os desafios relacionados à legitimidade e à segurança", diz ela.
O cálculo deles é claro: com a aproximação do inverno (Hemisfério Norte), um "congelamento" beneficiaria a Ucrânia, ao mesmo tempo que permitiria aos doadores europeus concentrarem-se em suas próprias necessidades energéticas para o inverno e nos custos de rearmamento, sob menor pressão decorrente do conflito em curso, explica a especialista.
O Kremlin, contudo, declarou que uma interrupção temporária seria ineficaz, insistindo, em vez disso, em um acordo abrangente que ofereça garantias "para as futuras gerações".
Conflito na Ucrânia está custoso
Governos europeus, empresas e firmas de investimento ocidentais, como a BlackRock, enfrentam agora restrições financeiras mais severas e parecem não ter mais interesse em "reconstruir a Ucrânia como uma fortaleza militar ou como fornecedora de matérias-primas para o Ocidente", observa Kwiatkowski.
"À medida que o interesse deles diminui, surgem novos cenários que favorecem a neutralidade e uma Ucrânia com um território menor; contudo, não vejo esse tema sendo discutido seriamente no Ocidente ainda", afirma.
Encerrando o 'projeto Ucrânia'
A administração Trump parece empenhada em acelerar um acordo para a Ucrânia ainda este ano, em meio a expectativas de que os democratas possam conquistar o controle tanto da Câmara quanto do Senado em 2027, pressionando pela continuidade do financiamento e da assistência militar dos EUA à Ucrânia — o que poderia prolongar o conflito com a Rússia.
"Encerrar o 'projeto Ucrânia' antes da posse do novo Congresso simplificará a agenda [da administração Trump] para 2027", ressalta a analista.


