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Você sabe falar português corretamente? Para muitos brasileiros, a resposta ainda é 'não'
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O Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo (SP), considerado o primeiro do mundo dedicado a um idioma, mostra que a língua é viva e está em constante mudança... 05.11.2026, Sputnik Brasil
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A data foi criada pela Lei 11.310, de 2006, em homenagem ao nascimento de Rui Barbosa. Falado em nove países por quase 300 milhões de pessoas, segundo estimativas do Observatório da Língua Portuguesa, o português é tema de exposições, acervo digital aberto ao público e ações para quem vive na região da Luz, inclusive pessoas em situação de rua.'A grande maioria diz que não'Edson Ignácio, assistente de formação e conteúdo do Núcleo Educativo, trabalha no museu desde 2007. Graduado em Letras, ele relatou que a insegurança linguística é a questão que mais transparece entre os visitantes.Para o educador, a origem desse sentimento está na correção constante do jeito de falar. Ele relembrou sua experiência pessoal quando jovem, ao ser corrigido por usar construções populares como "para mim fazer", apontando essa postura como forma de discriminação.Edson citou o linguista Marcos Bagno, autor de "Preconceito Linguístico", para sustentar que a ideia de que é preciso "aprender a falar direito" é um preconceito.Sobre questionamentos do público sobre expressões e clichês, como se há termos racistas ou misóginos na língua, Edson costuma perguntar de volta: "Eu não gosto de trazer verdades, eu faço perguntas". Para ele, o objetivo do museu é promover o empoderamento do falante, mostrando que todos que usam o idioma são agentes transformadores.Arquivo e memóriaLeticia Leal, programadora cultural, afirmou que datas como o Dia Nacional servem para refletir sobre a formação do português. Vinda da área do teatro, ela destacou que o teatro é essencialmente a "arte da palavra", exigindo roteiro com início, meio e fim para passar uma mensagem pelo verbo."É um encontro de muita fricção, de muita herança, mas de muito conflito também."Amanda Siqueira, historiadora, explicou que a plataforma Acervo Digital, lançada nas comemorações dos 20 anos da instituição, é gratuita e reúne exposições, publicações e documentos.O site já ultrapassou 100 mil visualizações desde março, alcançando mais de 90 países.Amanda lembrou a história da própria Estação da Luz, inaugurada em 1901 com estruturas originais em madeira de peroba, observando que o incêndio de 2015 não foi o único da trajetória do local. Ela ressaltou que, mesmo com o prédio fechado para reconstrução entre 2015 e 2021, o museu continuou em atividade contínua através de exposições itinerantes, feiras e bienais.Na Sala 3, o espaço abriga os ateliês e oficinas do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas Canajó — projeto em parceria com o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE-USP) e a FAPESP —, voltado às línguas indígenas brasileiras e de regiões de fronteira, que culminará em grande repositório digital previsto para 2027.Filha de professores de português, ela destacou que a convivência diária com seus pares no museu, em especial a parceria técnica com a linguista da equipe, ampliou sua compreensão sobre o multilinguismo, as mídias digitais e os processos históricos de colonização e transformação do Brasil.Língua e territórioAriel Oliveira, do Núcleo de Articulação Social, afirmou que o setor foi criado na reabertura da instituição (entre 2020 e 2021) para aproximar o território do equipamento, priorizando públicos em vulnerabilidade social extrema."A articulação social tem um papel fundamental, que é exatamente trazer o público do território para dentro do museu."Ela explicou que essa atuação com o entorno imediato é uma diretriz inovadora no campo da museologia, comparável a experiências recentes do Museu do Amanhã e do Museu de Arte do Rio.O núcleo coordena o Festival Pop Rua, evento bienal realizado em parceria com o SESC São Paulo, com próxima edição no mês de luta da população de rua em agosto de 2027. O festival ocupa as dependências do museu, o Parque Jardim da Luz e coletivos parceiros dos bairros adjacentes.Um dos projetos, o Luz na Tela, migrou das exibições ao ar livre para o auditório do museu, promovendo a exibição de curtas-metragens locais e produções de destaque — como o filme A Melhor Mãe do Mundo, exibido com a presença da atriz Shirley Cruz.Ariel relembrou que cresceu em São Paulo convivendo com familiares vindos de Sorocaba, Campinas, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais.Para ela, a experiência de ouvir sotaques diversos "misturados como num liquidificador" na mesa de casa antecipou a própria essência do museu, que reúne e celebra as variações dialetais e a riqueza do português falado em todo o país.Como funciona o Museu da Língua Portuguesa?O museu fica na Praça da Luz, s/nº, na Estação da Luz, em São Paulo. Funciona de terça a domingo, das 9h00 às 16h30, com permanência permitida até as 18h00, e fecha às segundas. O ingresso custa R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia), com gratuidade para crianças de até 7 anos. Mesmo quem tem direito à gratuidade precisa emitir o ingresso pela plataforma Sympla.A principal celebração do museu é o Dia Mundial da Língua Portuguesa, em 5 de maio, quando a instituição realiza festival com cinema, shows, saraus e rodas de conversa. Em 2026, a programação ocorreu no sábado, 9 de maio, com entrada gratuita.Em janeiro, o museu também promove o projeto Estação Férias, voltado a crianças, famílias e ao estímulo da palavra poética, ocorrendo de 9 a 24 de janeiro.
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O Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo (SP), considerado o primeiro do mundo dedicado a um idioma, mostra que a língua é viva e está em constante mudança. Nesta quinta-feira (5), Dia Nacional da Língua Portuguesa, a Sputnik Brasil ouviu integrantes da instituição, na Estação da Luz.
A data foi criada pela Lei 11.310, de 2006, em homenagem ao nascimento de Rui Barbosa. Falado em nove países por quase 300 milhões de pessoas, segundo estimativas do Observatório da Língua Portuguesa, o português é tema de exposições, acervo digital aberto ao público e ações para quem vive na região da Luz, inclusive pessoas em situação de rua.
'A grande maioria diz que não'
Edson Ignácio, assistente de formação e conteúdo do Núcleo Educativo, trabalha no museu desde 2007. Graduado em Letras, ele relatou que a insegurança linguística é a questão que mais transparece entre os visitantes.
"Quando a gente pergunta se aquela pessoa conhece língua portuguesa, se usa bem língua portuguesa, a grande maioria diz que não. Nosso trabalho é mostrar que sim, você usa bem. Você tá se comunicando, eu estou te entendendo."
Para o educador, a origem desse sentimento está na correção constante do jeito de falar. Ele relembrou sua experiência pessoal quando jovem, ao ser corrigido por usar construções populares como "para mim fazer", apontando essa postura como forma de discriminação.
Edson citou o linguista Marcos Bagno, autor de "Preconceito Linguístico", para sustentar que a ideia de que é preciso "aprender a falar direito" é um preconceito.
Sobre questionamentos do público sobre expressões e clichês, como se há termos racistas ou misóginos na língua, Edson costuma perguntar de volta: "Eu não gosto de trazer verdades, eu faço perguntas". Para ele, o objetivo do museu é promover o empoderamento do falante, mostrando que todos que usam o idioma são agentes transformadores.
Leticia Leal, programadora cultural, afirmou que datas como o Dia Nacional servem para refletir sobre a formação do português. Vinda da área do teatro, ela destacou que o teatro é essencialmente a "arte da palavra", exigindo roteiro com início, meio e fim para passar uma mensagem pelo verbo.
"É um encontro de muita fricção, de muita herança, mas de muito conflito também."
Amanda Siqueira, historiadora, explicou que a plataforma Acervo Digital, lançada nas comemorações dos 20 anos da instituição, é gratuita e reúne exposições, publicações e documentos.
O site já ultrapassou 100 mil visualizações desde março, alcançando mais de 90 países.
"Temos obras de arte, performances, referências dentro dessa plataforma que contam esse processo de memória do museu, e a língua sempre vai estar em constante transformação, porque ela é algo vivo, um patrimônio vivo."
Amanda lembrou a história da própria Estação da Luz, inaugurada em 1901 com estruturas originais em madeira de peroba, observando que o incêndio de 2015 não foi o único da trajetória do local. Ela ressaltou que, mesmo com o prédio fechado para reconstrução entre 2015 e 2021, o museu continuou em atividade contínua através de exposições itinerantes, feiras e bienais.
Na Sala 3, o espaço abriga os ateliês e oficinas do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas Canajó — projeto em parceria com o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE-USP) e a FAPESP —, voltado às línguas indígenas brasileiras e de regiões de fronteira, que culminará em grande repositório digital previsto para 2027.
Filha de professores de português, ela destacou que a convivência diária com seus pares no museu, em especial a parceria técnica com a linguista da equipe, ampliou sua compreensão sobre o multilinguismo, as mídias digitais e os processos históricos de colonização e transformação do Brasil.
Ariel Oliveira, do Núcleo de Articulação Social, afirmou que o setor foi criado na reabertura da instituição (entre 2020 e 2021) para aproximar o território do equipamento, priorizando públicos em vulnerabilidade social extrema.
"A articulação social tem um papel fundamental, que é exatamente trazer o público do território para dentro do museu."
Ela explicou que essa atuação com o entorno imediato é uma diretriz inovadora no campo da museologia, comparável a experiências recentes do Museu do Amanhã e do Museu de Arte do Rio.
O núcleo coordena o Festival Pop Rua, evento bienal realizado em parceria com o SESC São Paulo, com próxima edição no mês de luta da população de rua em agosto de 2027. O festival ocupa as dependências do museu, o Parque Jardim da Luz e coletivos parceiros dos bairros adjacentes.
Um dos projetos, o Luz na Tela, migrou das exibições ao ar livre para o auditório do museu, promovendo a exibição de curtas-metragens locais e produções de destaque — como o filme A Melhor Mãe do Mundo, exibido com a presença da atriz Shirley Cruz.
Ariel relembrou que cresceu em São Paulo convivendo com familiares vindos de Sorocaba, Campinas, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais.
Para ela, a experiência de ouvir sotaques diversos "misturados como num liquidificador" na mesa de casa antecipou a própria essência do museu, que reúne e celebra as variações dialetais e a riqueza do português falado em todo o país.
Como funciona o Museu da Língua Portuguesa?
O museu fica na Praça da Luz, s/nº, na Estação da Luz, em São Paulo. Funciona de terça a domingo, das 9h00 às 16h30, com permanência permitida até as 18h00, e fecha às segundas. O ingresso custa R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia), com gratuidade para crianças de até 7 anos. Mesmo quem tem direito à gratuidade precisa emitir o ingresso pela plataforma Sympla.
A principal celebração do museu é o Dia Mundial da Língua Portuguesa, em 5 de maio, quando a instituição realiza festival com cinema, shows, saraus e rodas de conversa. Em 2026, a programação ocorreu no sábado, 9 de maio, com entrada gratuita.
Em janeiro, o museu também promove o projeto Estação Férias, voltado a crianças, famílias e ao estímulo da palavra poética, ocorrendo de 9 a 24 de janeiro.
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