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Daniel Silveira cometeu crime de desacato em discussão sobre uso de máscara, conclui PF

Deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) na chegada ao Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro (RJ), em 17 de fevereiro de 2021, para fazer exame de corpo de delito
A Polícia Federal concluiu que o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) praticou o crime de desacato ao discutir com uma funcionária do Instituto Médico Legal (IML) sobre o uso de máscara após ser preso.
Sputnik

O relatório da PF sobre o caso foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), conforme publicou o portal G1.

Na ocasião, a funcionária do IML, que o recebia para a realização do exame de corpo de delito, pediu para Silveira colocar a máscara, mas ele se recusou.

O deputado foi preso em flagrante, na noite do dia 16 de fevereiro, por divulgar vídeo em que fazia apologia ao AI-5 e defendia a destituição de ministros do STF, algo inconstitucional.

O crime de desacato, previsto no Código Penal, é punido com pena de seis meses a dois anos de prisão.

"Cotejando a transcrição do vídeo, com depoimentos e declarações apresentados pelos envolvidos, esta autoridade policial considera que o deputado federal Daniel Silveira, ao se dirigir à perita legista Lilian Vieira com o emprego de expressões ofensivas como [lista palavrões neste trecho], acabou por desrespeitar a funcionária pública, que se encontrava no exercício de sua função, conduta que, indubitavelmente, encontra enquadramento típico no artigo 331 do Código Penal", diz o documento enviado ao STF, no âmbito do inquérito aberto para investigar o caso.

No mesmo relatório, a polícia descartou o crime de infração de medida sanitária preventiva, que prevê detenção de um mês a um ano.

"Esta autoridade policial considera que, ainda que tenha oferecido uma resistência inicial ao uso da máscara de proteção facial, resistência que durou cerca de 3 minutos, tempo em que houve a discussão, após a intervenção da autoridade policial responsável pela escolta do preso, o deputado federal Daniel Silveira fez o uso da máscara de proteção facial e o exame médico legal prosseguiu sem maiores intercorrências", explica o texto.
Daniel Silveira cometeu crime de desacato em discussão sobre uso de máscara, conclui PF
Daniel Silveira cometeu crime de desacato em discussão sobre uso de máscara, conclui PF

As conclusões da Polícia Federal devem ser encaminhadas à Procuradoria-Geral da República, que vai avaliar se apresentará nova denúncia ao Supremo.

Silveira já é réu no âmbito do inquérito que investiga atos antidemocráticos, por decisão do STF, e cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Desde o fim de abril, o deputado responde pelos seguintes crimes, previstos no Código Penal e na Lei de Segurança Nacional: praticar agressões verbais e graves ameaças contra ministros da Corte para favorecer interesse próprio, em três ocasiões; incitar o emprego de violência e grave ameaça para tentar impedir o livre exercício dos Poderes Legislativo e Judiciário, por duas vezes; e incitar a animosidade entre as Forças Armadas e o STF, ao menos uma vez.

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