Panorama internacional

Lula será 'vento favorável' para entrada da Bolívia no Mercosul, diz ministro boliviano

Segundo chanceler boliviano, a América Latina não deve deixar que países externos à região exerçam influência, pelo contrário, as nações latino-americanas devem estar unidas para fazer frente à multipolaridade.
Sputnik
Nesta quinta-feira (8), o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Rogelio Mayta, afirmou à Sputnik que a terceira chegada de Lula à presidência do Brasil pode impulsionar a entrada de La Paz no bloco mercosulino.
"Sem dúvida, a presença de Lula será um vento favorável quando ele assumir a presidência em 1º de janeiro", disse Mayta ao ser questionada se a eleição do petista ajudar a Bolívia a se tornar membro pleno do Mercosul.
O ministro também chamou atenção para o fato de que os países latino-americanos devem evitar a atuação de outras nações na região, uma vez que a América Latina se deu "muito mal com a multipolaridade".
"A integração da América Latina é importante para evitar a má influência de uma superpotência que temos como vizinhos, como os Estados Unidos, mas também outras influências. Às vezes pode-se cair na idealização de certas situações como a multipolaridade e a verdade é que a América Latina se deu muito mal com a multipolaridade ou bipolaridade que existia na época da conflagração da Guerra Fria [1947-1991] entre a União Soviética e os EUA", afirmou.
Sobre a Rússia, Mayta declarou que a relação entre os dois países é boa, mas que está preocupado com a operação russa na Ucrânia.
"Temos um bom relacionamento com a Federação da Rússia; temos alguns acordos pendentes em relação a um centro de pesquisa nuclear que está sendo construído na Bolívia; nesse contexto, temos um bom relacionamento. Mas estamos preocupados com a crise no Leste Europeu devido à operação militar que eles desdobraram", afirmou.
O que torna único o centro de pesquisa nuclear na Bolívia em construção junto com Rússia?
Por fim, o chanceler boliviano falou do "multilateralismo" e que uma "nova ordem mundial" é necessária.
"O multilateralismo está a fazer água por todos os lados, não está a sentir a força que precisamos neste momento e, por outro lado, em termos concretos estamos a vender a emergência de uma nova ordem mundial, não é um 'reset', é uma mudança, estamos vendo que este mundo unipolar pode ser multipolar, reconfiguração de forças, revitalização de critérios geoeconômicos e geopolíticos que adquiram mais validade", complementou.
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