Cúpula do BRICS 2023

Putin: processo de desdolarização nos pagamentos entre os países do BRICS é irreversível (VÍDEO)

Nesta terça-feira (22), o presidente russo Vladimir Putin faz um discurso no formato virtual na 15ª Cúpula do BRICS em Joanesburgo, na África do Sul.
Sputnik
Durante a 15ª Cúpula do BRICS, Vladimir Putin destacou as prioridades do Kremlin ante aos desafios geopolíticos propostos para o bloco — composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
De acordo com o líder russo, o BRICS tem de resolver questões difíceis em meio à volatilidade do mercado, à pressão inflacionária e ações irresponsáveis de alguns países.

"Todas estas tarefas difíceis e complexas têm de ser resolvidas em um contexto de volatilidade cada vez maior nos mercados de ações, de capitais, energéticos e alimentares, sob uma pressão inflacionária significativa, causada, entre outras coisas, por ações irresponsáveis de uma série de países que levaram a cabo emissões [de moeda] em larga escala para suavizar os custos da pandemia [COVID-19], que resulta na acumulação de dívida privada e pública", ponderou Putin.

O presidente afirma que a Rússia deve ajustar o foco de seus fluxos de transporte e logística para parceiros confiáveis, incluindo os países entre o BRICS, e que o processo de desdolarização do comércio intrabloco é irreversível, ressaltando que a participação do dólar americano no comércio está diminuindo.

"O processo objetivo e irreversível de desdolarização dos nossos laços econômicos está ganhando impulso, estão sendo feitos esforços para desenvolver mecanismos eficazes de liquidação mútua e de controle monetário e financeiro. Como resultado, a participação do dólar nas transações de exportação-importação dentro do BRICS estão em declínio: no ano passado representaram apenas 28,7%", destacou Putin no Fórum Empresarial dos BRICS.

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Sobre a questão alimentar, Vladimir Putin afirma que a "Rússia apoia uma cooperação mais próxima para o fornecimento confiável e ininterrupto de recursos alimentares e energéticos", e aproveitou para garantir que o país "continuará um fornecedor confiável de alimentos para a África" citando a questão do acordo de grãos. Para o líder russo, caso as obrigações para com Moscou sejam cumpridas, o país está pronto para retomar a iniciativa.
Com o avanço do apoio ocidental ao regime de Kiev no conflito ucraniano, o fornecimento de grãos para o mercado internacional foi severamente afetado. Por intermédio da ONU e da Turquia, Rússia e Ucrânia chegaram à Iniciativa de Grãos do Mar Negro, acordos paralelos que garantiam um corredor humanitário importante para o escoamento da produção de ambos os países. Entretanto, para o Kremlin os requisitos básicos para a manutenção do acordo não foram cumpridos, forçando a Rússia a se retirar da iniciativa.
Na ocasião da saída russa do acordo, Putin manifestou o desejo de garantir o fornecimento de grãos para os parceiros africanos gratuitamente, uma vez que, segundo Moscou, os grãos ucranianos não estavam abastecendo os países mais vulneráveis, e sim, a União Europeia (UE).
"Tenho dito repetidamente que o nosso país é capaz de substituir os cereais ucranianos, tanto em uma base comercial como sob a forma de assistência gratuita aos países necessitados, especialmente porque esperamos novamente uma excelente colheita este ano. Como primeiro passo, decidimos enviar gratuitamente entre 25.000 e 50.000 toneladas de cereais para seis países africanos, incluindo a entrega gratuita destes produtos. As negociações com os parceiros estão chegando ao fim", garantiu.
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Outro tema importante para o Kremlin que está intimamente relacionado com as safras e o fornecimento dos grãos, é a crise climática. Recentemente, a Argentina — um dos candidatos a integrar o bloco político-econômico — sofreu um revés econômico potencializado pelas perdas do setor agrícola.

"A Rússia está pronta para trabalhar junto para promover abordagens mais equilibradas para as questões climáticas no cenário internacional", afirmou Putin. "Planejamos atingir a neutralidade de carbono o mais tardar em 2060, através da introdução de inovações tecnológicas, modernizando a infraestrutura para o acesso a energia limpa e acessível, preservando os ecossistemas".

A cooperação entre os membros do BRICS se baseia na igualdade e no apoio entre seus parceiros, disse o presidente russo, acrescentando que o comércio do país com outros membros do BRICS ultrapassou mais de US$ 230 bilhões (cerca de R$ 1,1 trilhão).
"O principal é que cooperemos com base nos princípios da igualdade, do apoio à parceria, do respeito pelos interesses de cada um, e esta é a essência do rumo estratégico orientado para o futuro da nossa associação, um rumo que vai ao encontro das aspirações de parte central da comunidade mundial, a chamada maioria global", disse Putin
Em seu discurso, o líder russo acrescentou ainda que o comércio da Rússia com os parceiros do BRICS atingiu um montante "recorde" de mais de US$ 230 bilhões e convidou os parceiros para o Fórum Econômico do Oriente que vai ocorrer de 10 a 13 de setembro em Vladivostok.
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