Panorama internacional

Estudo estima 17 mil mortes em seis países devido ao tratamento de COVID-19 com cloroquina

O presidente Jair Bolsonaro recomendou o uso de cloroquina contra a COVID-19 (foto de arquivo)
O uso de hidroxicloroquina sem prescrição médica para combater a COVID-19 no auge da pandemia pode ter causado cerca de 17 mil mortes em seis países: Bélgica, França, Itália, Espanha, Estados Unidos e Turquia, segundo um estudo divulgado na revista científica Biomedicine & Pharmacotherapy nesta quinta-feira (11).
Sputnik
Os Estados Unidos concentram a maioria das mortes identificadas, cerca de 7,5 mil, informam pesquisadores da França e do Canadá, que estima que o uso do medicamento pode ter ocasionado o aumento de 11% na taxa de mortalidade de pacientes hospitalizados.
O artigo afirma que o uso prolongado do medicamento aumenta o risco de problemas cardiovasculares e cita estudos brasileiros sobre seus efeitos colaterais no coração e no fígado.

"Nosso estudo mostrou a alta proporção de prescrições de hidroxicloroquina, mesmo em países que restringiram seu uso. Esse resultado defende uma regulamentação rigorosa do acesso a prescrições off-label [sem previsão na bula] durante futuras pandemias", diz o artigo.

O estudo argumenta ser "fundamental que os representantes das autoridades públicas não promovam, com base nas suas convicções pessoais, a prescrição de medicamentos que não tenham sido formalmente avaliados, criando assim falsas esperanças quanto à existência de uma solução para uma crise sanitária complexa", conclui a publicação.
Advogada representante de médicos que atuavam para Prevent Senior, Bruna Morato, durante depoimento na CPI da Covid no Senado Federal, em Brasília, em 28 de setembro de 2021
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O artigo diz que apesar de estimativas imprecisas, sobretudo, devido a escassos dados obtidos sobre França, Turquia e Bélgica, as descobertas apontam o perigo do uso de medicamentos sem evidências de eficácia para determinada doença.
Indicada para o tratamento de doenças como malária, lúpus e artrite, a cloroquina foi amplamente defendida por autoridades políticas e líderes de diversos países, entre eles o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.
Mesmo após a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmar a ineficácia da hidroxicloroquina, esta continuou a ser incentivada no Brasil.
Na primeira semana de janeiro deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o novo procurador-geral da República, Paulo Gonet, avalie eventuais omissões de Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia.
O ministro Alexandre de Moraes reabriu em julho de 2023 a investigação sobre supostas responsabilidades por mortes durante a pandemia do ex-ministro da Saúde e atual deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ) e do ex-secretário de Comunicações da Presidência da República Fabio Wajngarten.
Em dezembro de 2023, o Brasil acumulava quase 708 mil óbitos oficiais por COVID-19 desde o início da pandemia, em 2020, de acordo com o Ministério da Saúde. No ranking mundial, o Brasil é vice-líder em números absolutos de mortes pela doença, de acordo com o site Our World in Data.
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