"Para a Venezuela, ingressar no BRICS, na qualidade que for designada, é muito importante porque permitiria contornar esse esforço de isolamento econômico, político e diplomático que recebeu dos EUA", afirmou Adrianza.
Caracas solicitou adesão ao grupo no ano passado. Nesse contexto, o especialista considera que, com a incorporação ao BRICS, o país poderá receber financiamento e realizar intercâmbios comerciais, longe da hegemonia do dólar.
"A formalização da relação que a Venezuela poderia ter com o mundo do BRICS é importante, pois permitiria o acesso a financiamento para intercâmbios comerciais. A presença do Novo Banco de Desenvolvimento [NBD] do BRICS é uma forma de impulsionar esses intercâmbios", acrescentou.
Em setembro, o presidente Nicolás Maduro anunciou que o governo solicitou a adesão ao NBD, o que ajudaria a enfrentar as sanções impostas pelos EUA. As medidas são responsáveis, segundo o governo venezuelano, pela grave crise econômica que o país enfrentou.
Adrianza destacou que o estabelecimento de uma moeda do BRICS ainda permitirá o comércio entre os Estados-membros sem o uso do dólar. "O BRICS busca melhorar esse intercâmbio entre as nações e evidenciam as falhas do sistema atual, que responde apenas aos interesses do Ocidente", indicou.
Os participantes da cúpula devem avaliar em Kazan o projeto conjunto do sistema de pagamento e liquidação digital do grupo como parte do processo de desdolarização da economia mundial.
Entrada da Venezuela no BRICS representaria um 'golpe' aos interesses dos EUA
Na visão do especialista, o ingresso da Venezuela nos BRICS poderia representar um golpe para os EUA, devido aos seus interesses no petróleo do país sul-americano.
"É razoável pensar que eles não ficarão de braços cruzados. Os EUA sempre viram a América Latina como parte do seu quintal, mas têm maior interesse na Venezuela por conta do petróleo", acrescentou.
A Venezuela pode contribuir com seus recursos naturais para impulsionar projetos comuns de desenvolvimento econômico, segundo o governo. Com a eventual entrada do país, o BRICS vai concentrar mais de 60% das reservas mundiais de petróleo, gás e energia.
Maduro chegou a Kazan nesta terça-feira (22) para participar da 16ª Cúpula do BRICS. O bloco, que inicialmente incluía Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, se expandiu com a entrada de Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã em 1º de janeiro de 2024.
Na última segunda (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou ao time de articulação internacional que o Brasil deverá se posicionar contra o ingresso da Venezuela no BRICS. Recentemente, durante as eleições presidenciais venezuelanas ocorridas em julho, o governo brasileiro entendeu que Caracas descumpriu acordos internacionais que o próprio presidente Nicolás Maduro havia assinado com intermédio do Brasil, como os Acordos em Barbados.