As autoridades israelenses informaram que os navios se encontram a cerca de 10 milhas náuticas (20 km) do ponto de bloqueio, situação considerada crítica, já que a localidade é considerada uma zona sob restrição militar. Pelo menos dois navios já teriam sido interceptados e a comunicação com boa parte das embarcações já foi perdida.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que a flotilha está entrando em "área de combate ativa" e violando um bloqueio naval legalmente instituído.
De acordo com os organizadores, as embarcações enfrentam "estado de emergência" a bordo, diante da iminência de uma intervenção naval israelense. Não foram divulgados, até o momento, detalhes precisos sobre quantas embarcações participam da iniciativa.
Apesar das "manobras de intimidação", a missão humanitária declarou que continuará sua rota para o enclave palestino, mesmo que as forças israelenses interceptem alguns de seus navios. "A ocupação ameaçou o Alma, o navio líder da frota, mas a resposta foi uma firme recusa e insistência em concluir a missão. Nossa decisão é continuar navegando sem interrupção", informou a organização.
Pelo menos 12 brasileiros participam da missão humanitária que partiu de Barcelona, na Espanha, no fim de agosto. No caminho, as embarcações já haviam sido alvo de drones israelenses, o que levou Itália e Espanha a mobilizarem navios do Exército para ajudarem em eventuais resgastes, mas sem se envolver militarmente com as forças israelenses.
A flotilha planeja seguir rumo ao litoral da Faixa de Gaza para entregar suprimentos emergenciais (alimentos, medicamentos e outros itens de socorro) destinados à população já fragilizada por quase dois anos de conflito.
Israel defende o bloqueio marítimo como medida de segurança para impedir o envio de armas ao Hamas e outros grupos armados no território palestino. No entanto, críticos afirmam que tal bloqueio representa punição coletiva da população civil, em desacordo com normas de direito internacional humanitário.