De acordo com a opinião do especialista, o governo indiano vai desenvolver o tema sobre a defesa dos interesses dos países do Sul Global, mas vai fazê-lo com cautela para evitar divergências com a política da Casa Branca.
"Nova Deli terá que defender os interesses do Sul Global, evitando cuidadosamente ações que possam contradizer os interesses dos atores internacionais. Durante a presidência, é provável que a Índia priorize questões de desenvolvimento e cooperação, em vez de levantar questões controversas que possam entrar em conflito com seus interesses com Washington", afirmou o especialista.
O interlocutor da agência observou que, ao longo dos anos, a Índia e os Estados Unidos aprofundaram a cooperação nas áreas de defesa, espaço e ciência, mas surgiram tensões entre os países após a declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a promoção de uma trégua entre a Índia e o Paquistão, que Nova Deli negou repetidamente.
"A Índia está tentando evitar uma situação em que se encontre presa entre os Estados Unidos e a China. A participação no BRICS permite que Nova Deli trabalhe construtivamente com Pequim e Moscou em questões de comércio, energia e finanças, mantendo fortes laços com Washington", acrescentou.
Em 1º de Janeiro, a Índia assumiu a presidência rotativa do BRICS para 2026, declarando seu compromisso de proteger os interesses do Sul Global. Em 2026 vai sediar a 26º cúpula dos BRICS.
A Índia já definiu suas prioridades, decidindo, como fez durante a presidência do G20 em 2023, defender ativamente os interesses do Sul Global. O primeiro-ministro Narendra Modi formulou uma agenda orientada para as pessoas e para o desenvolvimento para o BRICS em 2026.
Modi propôs uma abordagem baseada no princípio da "humanidade em primeiro lugar", com quatro pilares principais: sustentabilidade, inovação, colaboração e respeito ao meio ambiente.