Apesar de a ideia de explorar minerais de asteroides ter perdido um pouco de popularidade nos últimos anos, os pesquisadores afirmam que a crescente demanda por recursos torna impossível abandoná-la.
Segundo a publicação, um grupo de cientistas do Instituto de Ciências Espaciais (ICE-CSIC), em Barcelona, após analisar amostras de asteroides ricos em carbono (asteroides do tipo C), concluiu que esses corpos espaciais podem se tornar uma importante fonte de matérias-primas.
Em particular, os pesquisadores estudaram a composição química dos condritos carbonáceos (C-condritos). Esses asteroides caem regularmente na Terra, mas nem sempre são detectáveis devido à sua raridade, representam cerca de 5% de todos os meteoritos, e à sua estrutura frágil.
No entanto, os cientistas de Barcelona afirmam que esses asteroides ricos em carbono têm grande valor industrial e destacam que conhecer a quantidade de matéria em cada asteroide é crucial, pois eles são extremamente heterogêneos.
Imagem em luz refletida de uma seção delgada de condrito CV3 carbonáceo
© Foto / J.M.Trigo-Rodríguez/ICE-CSIC.
"Embora geralmente sejam divididos em três categorias: tipo C [carbonáceo], tipo M [metálico] ou tipo S [silicioso], os asteroides também são classificados por características espectrais e por sua órbita", diz a publicação.
Os pesquisadores ressaltam que conhecer a composição exata dos asteroides é essencial para identificar os locais onde diferentes recursos (água, minérios etc.) podem ser encontrados, bem como para descobrir se o asteroide contém água, que é um recurso mais importante do que metais raros.
O estudo identifica objetos com alta proporção de minerais portadores de água, além de asteroides com conteúdo significativo de olivina e espinélio. Na avaliação deles, a água está se tornando o recurso mais promissor.
No espaço, é mais importante do que os metais porque pode ser usada para produzir combustível, sustentar a vida e reduzir a dependência das missões de suprimentos da Terra.
Segundo o estudo, a ideia de criar plataformas e espaçonaves capazes de se aproximar de asteroides próximos da Terra, extrair minerais e depois entregá-los a fundições espaciais é real e pode se concretizar nas próximas décadas.