Segundo a publicação, esse montante acumulado de 2007 a 2025 está relacionado a crimes financeiros e recursos ilícitos e por isso o governo brasileiro tem dificuldades em retorná-lo. Além disso, só no ano de 2025 o Brasil teve que congelar até R$ 135 milhões de tais ativos.
De acordo com os dados do Relatório de Gestão 2025 preparado pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a recuperação de tais ativos alocados no exterior depende de dois fatores principais.
Para restaurar o acesso a ativos congelados, duas condições devem ser cumpridas: decisão das autoridades estrangeiras e trânsito em julgado de processos criminais no Brasil. Esse último caso inclui os relacionados ao perdimento de bens – processo em que a Justiça decide que um patrimônio deixa de ser propriedade de uma pessoa e passa para a guarda da União.
O relatório diz que ao longo de 2025 foram efetuados diversos bloqueios em jurisdições estrangeiras, muitos deles atendidos com notável celeridade pelos Estados requeridos, resultando no congelamento de valores que ultrapassaram 135 milhões de reais.
"Apesar disso, não houve repatriação de recursos, uma vez que, mesmo diante dos esforços do DRCI, a transferência definitiva depende do trânsito em julgado dos processos criminais no Brasil, etapa cuja conclusão não está sob a esfera de controle do departamento", diz-se no texto.
Segundo dados históricos do DRCI, o retorno dos ativos congelados durante os últimos cinco anos é marcado por instabilidade: o país não registrou entradas em 2021, 2023 e 2025, mas obteve sucesso na recuperação de US$ 24,4 milhões em 2022 e de US$ 46,3 milhões em 2024.
"Historicamente, o dinheiro oriundo de crimes financeiros no Brasil – como lavagem de dinheiro e corrupção – busca refúgio em grandes centros bancários mundiais", afirma a publicação.
Os maiores montantes de ativos brasileiros congelados de 2007 a 2025 ficam na Suíça, Reino Unido e Estados Unidos. Já paraísos fiscais e centros financeiros, como Mônaco, Bahamas, Ilhas Guernsey e Luxemburgo, também mantêm recursos do país sob custódia judicial, informa o Metrópoles.
O relatório diz também que privar as organizações criminosas de seus ganhos ilícitos e de seus recursos financeiros é fundamental para combater e desestimular o crime organizado. A cooperação jurídica internacional possibilita o bloqueio e a repatriação de valores remetidos ilicitamente ao exterior, constata o material.