Panorama internacional

Canadá fecha acordo comercial, reduz tarifas com China e se afasta de estratégia comercial dos EUA

O Canadá firmou um acordo tarifário com a China envolvendo veículos elétricos e exportações agrícolas, em um movimento que marca afastamento da estratégia comercial adotada por Washington. A informação foi divulgada pelo jornal The Globe and Mail, nesta sexta-feira (16).
Sputnik
Pelo acordo, o governo canadense permitirá a entrada de quase 50 mil veículos elétricos fabricados na China por ano, com uma tarifa de 6,1%, bem abaixo dos 100% atualmente aplicados.
Em contrapartida, Pequim concordou em reduzir drasticamente as tarifas sobre a canola canadense e eliminar impostos sobre produtos como farelo de canola, lagosta, caranguejo e ervilhas. A China também se comprometeu a retirar a exigência de visto para cidadãos canadenses.
O primeiro-ministro Mark Carney afirmou que o acordo reflete uma recalibração das relações com Pequim, após anos de incertezas.
Ele esteve com o líder chinês, Xi Jinping, nesta quinta-feira (15), no Grande Salão do Povo, em Pequim, capital chinesa.
Em declarações feitas durante visita, Carney disse que, recentemente, a relação com o país asiático tem sido "mais previsível" do que com os Estados Unidos, acrescentando que as interrupções comerciais aumentaram sob políticas protecionistas adotadas por Washington.
Panorama internacional
Trump aumenta em 10% as tarifas sobre produtos do Canadá após romper as negociações comerciais
O entendimento ocorre após a imposição de tarifas pelos EUA durante o governo de Donald Trump, incluindo taxas mais altas sobre produtos canadenses e tarifas amplas sobre aço e alumínio.
Trump também chegou a sugerir, em diversas ocasiões, que o Canadá deveria se tornar o "51º estado" dos Estados Unidos, o que contribuiu para o desgaste das relações bilaterais.
A iniciativa de Ottawa contraria a postura dos EUA em relação à China, que esperam que aliados acompanhem sua linha dura contra Pequim.
Inicialmente, Ottawa havia seguido a linha de Washington, impondo tarifas de 100% sobre carros elétricos chineses. Pequim reagiu com taxas sobre produtos agrícolas e alimentos canadenses. A situação se agravou quando os Estados Unidos passaram a adotar novas restrições econômicas contra o Canadá, o que forçou o governo canadense a reavaliar relação com Pequim.
Carney foi o primeiro-ministro canadense a visitar a China desde 2017, que é o segundo maior parceiro comercial do Canadá, depois dos Estados Unidos.
Carney afirmou que busca entrar em uma "nova era de relações” com a China, e que os dois países assinaram nesta semana uma série de acordos nas áreas de energia, agricultura e saúde animal.
O encontro é o segundo entre os dois líderes, após uma conversa que tiveram à margem da Cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC, na sigla em inglês) na Coreia do Sul, na Coreia do Sul, em outubro passado.
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