O tribunal justificou o novo adiamento pela falta de tempo suficiente para analisar as informações enviadas pelo governo brasileiro sobre a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, onde Zambelli deverá cumprir pena se for extraditada.
Novo julgamento está previsto para a primeira quinzena de fevereiro.
A corte italiana já havia adiado a decisão sobre a extradição na semana passada, após a defesa de Zambelli solicitar mais tempo para analisar documentos enviados pelo Supremo.
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, informou à Justiça italiana que a penitenciária tem padrões de salubridade, segurança e assistência às detentas, além de atendimento médico e cursos técnicos.
A ex-deputada está presa na Itália desde julho de 2025, após ser condenada pela Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil duas vezes: por haver contratado um hacker para invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, no episódio em que perseguiu um homem a mão armada pelas ruas de São Paulo, em outubro de 2022.
Zambelli fugiu do Brasil dias antes do trânsito em julgado da primeira condenação e ser determinado o cumprimento da pena, de dez anos de prisão. Ela foi encontrada pelas autoridades, após ser incluída como foragida na lista da Interpol.
A defesa alega que a ex-parlamentar sofre perseguição judicial e política no Brasil, e também questiona a situação carcerária no país para o eventual cumprimento da pena.
O Ministério Público do país europeu deu parecer favorável à extradição e entende que a solicitação brasileira de extradição atende a todos os requisitos necessários, dentre os quais a confirmação de que a ex-deputada federal não sofreu perseguição política.
A ex-deputada perdeu o mandato por determinação do Supremo, mesmo depois do plenário da Câmara ter aprovado a permanência dela no cargo, pois parlamentares condenados ao regime fechado por tempo prolongado devem perder seus mandatos automaticamente.
Na segunda condenação pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal ela foi condenada a cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além de pagamento de multa correspondente a 400 salários-mínimos vigentes à época dos fatos (2022), com devida atualização monetária.