O jornal destaca que a UE pode introduzir cotas comerciais, restringir o acesso aos mercados financeiros, revogar direitos de propriedade intelectual, proibir investimentos e impor restrições às importações e exportações.
"O risco de usar esse instrumento é que Trump se precipite e retire imediatamente todo o apoio à Ucrânia, o que seria um desastre para a Europa. Isso seria um desastre para a Europa", ressalta a publicação.
Segundo a matéria, isso também seria uma catástrofe para os Estados Unidos e para o próprio Trump, pois os mercados provavelmente entrariam em colapso, e as relações transatlânticas se desintegrariam.
Além disso, o artigo salienta que a única maneira de a UE manter sua independência em relação aos EUA é retaliar, escalando as tensões com Washington.
Nesse contexto, o jornal especifica que, encurralada por sua repetida submissão aos EUA, a Europa só pode sair da crise se decidir não recuar.
"Para fazer isso, a Europa precisa incorporar em sua política econômica ideias que parecem estranhas a um continente que prefere o poder suave a estratégias de segurança rígidas, como dissuasão, ameaças credíveis e domínio da escalada", enfatiza o material.
Dessa forma, a publicação conclui que, para preservar sua autonomia, a UE deve tomar medidas decisivas, incluindo a aplicação de restrições econômicas e financeiras aos Estados Unidos.
Na terça-feira (20), o presidente da França, Emmanuel Macron, declarou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que a Europa deve estar pronta para aplicar um "mecanismo de contra-ataque à coerção", frequentemente chamado de "bazuca comercial", quando não for respeitada.
Na sexta-feira (16), Trump impôs tarifas de 10% à Dinamarca, à Noruega, à Suécia, à França, à Alemanha, ao Reino Unido, aos Países Baixos e à Finlândia, devido à discordância deles com suas reivindicações sobre a Groenlândia. As tarifas entrarão em vigor em 1º de fevereiro, aumentarão para 25% em junho e permanecerão em vigor até que a ilha seja controlada por Washington.
Macron respondeu que a UE pode aplicar uma "bazuca comercial" contra os Estados Unidos. Isso inclui impostos e taxas adicionais para empresas de tecnologia, restrições a investimentos, acesso ao mercado da UE e participação em licitações para contratos públicos.