O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta desgaste por causa dos desdobramentos do caso Master, e parte dos ministros passou a defender que a investigação volte à primeira instância como uma forma de reduzir a crise e oferecer uma "saída honrosa" ao ministro Dias Toffoli. Apesar disso, de acordo com a Folha de S.Paulo, ele resiste a deixar a condução do inquérito.
Segundo a apuração, a pressão interna cresceu após críticas ao sigilo imposto ao caso, à viagem de jatinho com um advogado envolvido e a negócios que ligam familiares do ministro a um fundo associado ao Banco Master.
A operação Compliance Zero começou na Justiça Federal em Brasília, mas chegou ao STF após a Polícia Federal (PF) apreender um documento que mencionava o deputado João Carlos Bacelar (PL), que tem foro privilegiado. Outra investigação, iniciada em São Paulo, também foi remetida ao Supremo e embasou a segunda fase da operação, que apura suspeitas de fraudes no Banco Master envolvendo fundos de investimento e empresários.
Até o momento, porém, não há indícios de participação de Bacelar nas fraudes, segundo investigadores. O deputado afirma ter apenas participado de um fundo imobiliário na Bahia, do qual Vorcaro demonstrou interesse, mas sem que o negócio avançasse. A ausência de evidências contra o parlamentar é vista por alguns ministros como oportunidade para devolver o caso ao primeiro grau.
Para a apuração, essa ala do STF argumenta que o retorno à primeira instância reduziria o desgaste institucional, afastaria alegações de suspeição contra Toffoli e manteria válidos todos os atos já praticados. Nesse cenário, depoimentos, acareações e resultados de buscas seriam compartilhados com a Justiça Federal, evitando reinício da investigação.
A ideia também é defendida por integrantes do Ministério Público Federal (MPF), por pessoas próximas ao ministro e por advogados que acompanham o caso — embora tenha sido a defesa de Vorcaro quem pediu que o STF supervisionasse a investigação. Mesmo assim, Toffoli rejeita deixar a relatoria, afirmando que não há impedimento legal nem motivo de foro íntimo para se declarar suspeito.
O Código de Processo Penal prevê impedimentos objetivos, como participação de familiares ou atuação prévia do juiz no caso, e situações subjetivas de suspeição, como amizade íntima, recebimento de presentes ou aconselhamento das partes. Toffoli afirma que nada disso se aplica e sustenta que sua imparcialidade está preservada. Ele também argumenta que, na primeira instância, haveria maior risco de vazamentos.
Segundo a Folha, o ministro tem dito a auxiliares que só com novos avanços será possível decidir se o caso permanece no STF, retorna ao primeiro grau ou se será desmembrado — ficando no Supremo apenas a parte relativa a autoridades com foro. Paralelamente, ele tem acelerado etapas da investigação, o que gerou atritos com a PF, como na acareação marcada antes dos depoimentos e nas mais de 80 perguntas elaboradas por seu gabinete.