As marcas foram feitas soprando pigmento sobre mãos apoiadas na parede, criando estênceis, alguns deles com dedos propositalmente alongados ou pontiagudos.
A técnica e o cuidado presentes nas pinturas sugerem que a ilha abrigava uma cultura artística florescente. Para determinar a idade das obras, os pesquisadores analisaram crostas minerais formadas sobre os estênceis, método que reforçou a antiguidade excepcional das imagens.
A descoberta empolgou especialistas como a paleoantropóloga Genevieve von Petzinger, que celebrou o estudo e afirmou à AP que os resultados fazem sentido dentro do que já se conhece sobre a evolução da arte humana. A Indonésia, aliás, já era reconhecida por abrigar algumas das pinturas rupestres mais antigas do planeta.
As novas impressões superam registros anteriores, como marcas de 73 mil anos na África do Sul, e representam uma tradição mais complexa de arte rupestre. Segundo o pesquisador Maxime Aubert, autor do estudo publicado na revista Nature, os estênceis podem refletir uma prática cultural compartilhada entre grupos humanos da região.
A descoberta também contribui para a compreensão de quando os primeiros humanos passaram de simples marcas a representações mais elaboradas de si mesmos e do mundo. Essas pinturas ajudam a consolidar uma linha do tempo para o surgimento da criatividade simbólica.
A autoria das mãos, no entanto, permanece incerta. Elas podem ter sido feitas por Denisovanos, que habitaram a região e possivelmente interagiram com Homo sapiens, ou por humanos modernos em migração. Detalhes como dedos intencionalmente modificados reforçam a intervenção humana consciente.
Outras figuras encontradas na mesma área — como um humano, um pássaro e animais semelhantes a cavalos — são muito mais recentes, de cerca de 4.000 anos. Pesquisadores acreditam que ilhas próximas possam revelar obras ainda mais antigas, e veem a descoberta como um ponto de partida para novas explorações sobre a história da arte e da humanidade.