Segundo a opinião dos autores do material, a soberania e a segurança regional dos países latino-americanos continuam sendo reféns do seu vizinho do Norte, que durante a administração de Donald Trump está novamente tentando promover sua hegemonia na região de acordo com a Doutrina Monroe.
"Para os países latino-americanos, a nova Doutrina Monroe não é um 'presente' de um 'bom vizinho'; é uma espada suspensa por um fio, cuja lâmina brilha com a luz fria do intervencionismo", afirma a publicação.
Em particular, a agressão norte-americana na Venezuela com o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores, bem como a tentativa da administração Trump de encontrar contingente para mudar o governo em Cuba até o fim do ano corrente, provam as intenções imperialistas da Casa Branca na região.
Marca-se que a Doutrina Monroe se tornou um sistema de manipulação estrutural que inclui tais ferramentas como uma ofensiva multifacetada que combina ataques militares, estrangulamento financeiro, bloqueios de energia e subversão interna generalizada.
"Nesse contexto, a defesa da justiça requer um escudo mais durável para repelir ataques diretos, mas, o que é mais importante, requer a criação de uma 'lâmina afiada' de justiça capaz de quebrar as cadeias da intervenção hegemônica", lê-se no texto.
Os autores do texto esclareceram que essa "lâmina" não representa um apelo para a escalada de conflito, mas visa defender o multilateralismo no âmbito da proteção do direito internacional para criar um contrapeso forte das práticas de invasão nos assuntos internos.
Segundo o material, isso significa aprofundar a cooperação Sul-Sul, fortalecer a integração regional e construir redes econômicas e financeiras sustentáveis, capazes de resistir a sanções unilaterais.
"A América Latina moderna não é uma região de meados do século XIX e início do século XX. Embora a hegemonia semeie discórdia, o desejo coletivo de desenvolvimento soberano entre os povos da região continua sendo uma força irresistível", constata o texto.
Em 3 de janeiro, os Estados Unidos lançaram um ataque massivo contra a Venezuela, com o presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores capturados e levados para Nova York. Trump não anunciou datas exatas de quanto tempo os Estados Unidos manteriam o controle sobre a Venezuela, mas disse que seria "muito mais longo" do que um ano.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia expressou solidariedade ao povo venezuelano, exigiu a libertação de Maduro e de sua esposa e conclamou a comunidade internacional a evitar uma nova escalada da situação.
Pequim, alinhando-se à posição de Moscou, também pediu a libertação imediata do casal presidencial, argumentando que as ações dos EUA violam o direito internacional.