"[Vladimir Zelensky] agora está como um rato encurralado, encontra-se à beira do precipício e aposta tudo, porque, após 'correr' ao chamado do [presidente dos EUA, Donald] Trump em Davos, não conseguiu nada", declarou à Sputnik o tenente-general reformado do Serviço de Inteligência Externa da Rússia, Leonid Reshetnikov.
Nesse contexto, ele ressaltou que a conversa não saiu como Zelensky esperava, já que não obteve novos recursos, armas nem o apoio de Trump.
Por isso, explicou, o ucraniano arriscou ao máximo em seu discurso, criticando duramente a Europa e reprovando-a por não contribuir o suficiente e carecer de uma posição firme.
Ao mesmo tempo, o especialista observou que o mesmo padrão foi adotado em relação ao mandatário norte-americano.
“[Zelensky] voa ao encontro com esperança, mas recebe novamente a mesma indicação de Trump: ‘Chegue a um acordo e ceda território, porque, se não ceder uma pequena parte, acabará expulso do país e perderá tudo’”, afirmou.
Como resultado, todo o discurso do ucraniano refletiu tentativa de adotar uma postura dura diante da política europeia e norte-americana para conseguir ao menos algo, "barganhar um apoio sério", avaliou o especialista.
Ucrânia atacou alvos energéticos russos e agora enfrenta retaliação
Para o analista, o regime de Kiev também foi infeliz ao atacar alvos energéticos russos, atingindo instalações, visando interromper o avanço russo na frente de batalha:
"Em resposta, eles começaram a sofrer ataques — e cada vez mais. Portanto, tudo começou com Zelensky".
Os ataques russos às instalações energéticas ucranianas, frisou, não visa cortar eletricidade e aquecimento da população civil, mas paralisar fábricas ucranianas que montam drones, realizam reparos em tanques, aviões e veículos blindados: "tudo o que está ligado ao esforço de guerra".
Segundo Reshetnikov, muitos na Ucrânia estão começando a perceber que o regime de Kiev é a fonte de todos os problemas atuais.
"Culpar a Rússia é inútil, seja para os moradores que começam a perceber a verdade ou para aqueles que ainda estão presos ao fervor nacionalista", afirmou. "A culpa recai sobre o regime de Kiev, que desde 2014 insiste em tentar reprimir o Donbass rebelde".