Durante sua fala, Lula afirmou que a região enfrenta "intervenções militares ilegais" e criticou a falta de reação dos organismos multilaterais diante dessas ações. Segundo ele, falta "convicção" às lideranças latino‑americanas para responder a essas crises.
Apesar da inércia da região, o presidente brasileiro elogiou os esforços do homólogo colombiano Gustavo Petro.
"A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos [CELAC] está paralisada, apesar dos esforços do nosso querido presidente [da Colômbia] Gustavo Petro. A CELAC não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra a intervenções militares ilegais que abalam a nossa região", afirmou.
Lula também condenou o uso da força como instrumento político, afirmando que investidas neocoloniais e disputas por zonas de influência representam retrocessos históricos, mesmo sem detalhar a que intervenção se referia.
"A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para combater as mazelas que assolam a todos nós. A divisão do mundo em zona de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos", completou.
Mesmo tecendo críticas à gestão de Washington, Lula reconheceu que os Estados Unidos, em determinados momentos, atuaram como parceiros da América Latina, citando a política de boa vizinhança implementada por Franklin Roosevelt.
Para além disso, o presidente afirmou que o Brasil escolheu o caminho da democracia, da paz e da integração regional, argumentando que a única guerra legítima a ser travada é contra a fome e a desigualdade, desafios que, segundo ele, deveriam unir os países latino‑americanos em vez de aprofundar tensões.
Entretanto, Lula defende a neutralidade do canal do Panamá disputado com os EUA, destacando que a integração em infraestrutura não tem ideologia. Ele ressaltou a importância de obras regionais de infraestrutura para ampliar o comércio intrarregional.
O presidente reiterou ainda o apoio do Brasil à soberania panamenha sobre o canal, administrado de forma "eficiente, segura e não discriminatória" há quase três décadas.