"Para lidar com a emergência nacional declarada nesta ordem, determino que é necessário e apropriado estabelecer um sistema tarifário, conforme descrito abaixo. De acordo com este sistema, uma taxa adicional ad valorem poderá ser imposta sobre as importações de bens que sejam produtos de um país estrangeiro que, direta ou indiretamente, venda ou forneça petróleo a Cuba."
A ordem executiva publicada pela Casa Branca nesta quinta-feira cita uma suposta "emergência nacional", declarada anteriormente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
"Agora, portanto, eu, Donald J. Trump, presidente dos Estados Unidos da América, constato que a situação relativa a Cuba constitui uma ameaça incomum e extraordinária, que tem a sua origem, no todo ou em parte substancial, fora dos Estados Unidos, à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos e, por este meio, declaro uma emergência nacional relativamente a essa ameaça."
Um dos países afetados pela ordem executiva de Washington é o México. Na última quarta-feira (28), a presidente Claudia Sheinbaum reforçou a jornalistas que o país continuará enviando petróleo para Cuba.
Segundo Sheinbaum, o petróleo bruto chega à ilha caribenha de duas maneiras: por meio de contratos comerciais com o governo cubano e por meio de ajuda humanitária. Ela esclareceu que esta última não foi suspensa em nenhum momento.
O esclarecimento de Sheinbaum surgiu após a Bloomberg ter noticiado — com base em supostos funcionários do governo mexicano — que o México teria interrompido os envios de petróleo para Havana devido à pressão constante dos EUA para que o país latino-americano parasse de apoiar a ilha.
Tensão crescente entre Havana e Washington
Desde janeiro de 2025, quando teve início o atual governo dos Estados Unidos, Havana tem denunciado em diversas ocasiões o "agravamento" do embargo econômico, comercial e financeiro que Washington mantém contra a ilha há mais de seis décadas.
Após o ataque dos EUA à Venezuela, que terminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, Trump afirmou que Cuba parece "pronta para cair", embora considere pouco provável que, para isso, sejam necessárias ações militares.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, chamou o governo cubano de "grande problema". Depois da declaração do secretário, Trump considerou ótima a ideia de nomear Rubio presidente de Cuba.
Miguel Díaz-Canel, por sua vez, afirmou este mês que Washington não tem autoridade moral para forçar um acordo com Cuba, depois de Trump ter sugerido que a ilha deveria firmar um acordo com os EUA.