Segundo balanços oficiais do governo do Estado e da prefeitura, desde maio de 2025 a concentração tradicional de usuários foi progressivamente esvaziada, e área que abrigava a cena aberta de uso quase não registra mais grupos de dependentes nessa escala — com contagens diárias muito abaixo dos picos anteriores, que chegavam a centenas de pessoas, caindo para menos de 100.
A Sputnik Brasil percorreu a região durante algumas horas nesta quinta-feira (29) e não foi possível encontrar dependentes químicos nas adjacências.
De acordo com transeuntes ouvidos, a presença de agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM), espalhados pelas vias, têm reduzido a incidência das pessoas, que têm medo de serem agredidas.
Também há relatos de que o problema da dependência química permanece já que grupos de usuários estão em outros pontos do centro da cidade e bairros próximos, como Minhocão, Santa Cecília e áreas sob viadutos, o que sugere um processo de dispersão ou fragmentação da cena antes concentrada. A Praça Roosevelt, local boêmio com atividades noturnas, também tem tido presença de usuários em situação de rua e consumo em grupo, como averiguado pela Sputnik Brasil.
Foram citados ainda por moradores da cidade bairros como Barra Funda, Santa Ifigênia, além de periferias e favelas, como as pequenas comunidades que se encontram na Vila Mariana, na zona sul.
Ao longo das últimas décadas, a Cracolândia passou por vários pontos de concentração no centro de São Paulo. Nos anos 1990 e 2000, áreas como a praça Princesa Isabel, alameda Dino Bueno e trecho da Alameda Cleveland foram testemunhas de cenas abertas de consumo.
14 de novembro 2025, 20:16
Mais recentemente, antes do esvaziamento de 2025, a Rua dos Protestantes e adjacências — incluindo ruas Helvétia e Gustavo Schmidt — eram os principais epicentros, atraindo atenção nacional e internacional pelo volume de pessoas em situação de rua e uso de crack.
O que diz o governo de SP?
O Centro de São Paulo completou quase um ano sem a chamada Cracolândia, no entorno da rua dos Protestantes e adjacências. A mudança ocorreu após trabalho conjunto entre governo estadual, prefeitura e governo federal, que combinou ações de saúde pública e segurança no coração da capital paulista.
Segundo balanços oficiais, o chamado Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas, principal equipamento público responsável pelo atendimento a dependentes químicos, já atendeu mais de 35 mil pessoas desde sua criação em 2023, com mais de 28,8 mil encaminhamentos para serviços especializados, incluindo hospitais e centros terapêuticos.
O esvaziamento — iniciado em maio de 2025 — foi acompanhado da desarticulação progressiva de casas antes ocupadas por cenas abertas de uso de drogas, com redução significativa de ocorrências criminais no entorno, de acordo com as autoridades competentes.
Dados da Secretaria da Segurança Pública apontam queda de mais de 63% nos casos de roubos e quase 30% nos furtos na área entre 2022 e 2025.