Campanha sustentada
"A abordagem mais eficaz do Irã" para a defesa reside em "uma campanha de pressão em camadas e negável, em vez de 'um grande ataque'", disse o Dr. Imad Salamey, professor associado da Universidade Americana Libanesa, à Sputnik.
"Isso significa combinar fogo direto limitado (mísseis/drones) com ataques facilitados por terceiros (Iraque, Iêmen, Líbano) para manter as forças americanas em constante alerta, aumentar os custos e dificultar a atribuição de responsabilidade — evitando, ao mesmo tempo, uma resposta que possa desencadear uma escalada em larga escala por parte dos EUA", argumentou o acadêmico.
Mas a maior "vantagem estratégica" do Irã vem de suas capacidades de perturbação marítima e energética — ou seja, a capacidade de fechar o Estreito de Ormuz e pressionar o Mar Vermelho e o Estreito de Bab el-Mandeb com a ajuda de seus aliados houthis.
O país possui um vasto arsenal de armas para implementar sua campanha retaliatória "escalável, repetível e difícil de ser totalmente interrompida", disse Salamey.
Isso inclui tudo, desde drones, que são "baratos, numerosos, difíceis de interceptar em larga escala e úteis para saturar as defesas", até mísseis e mísseis de cruzeiro, que podem ser usados para atingir instalações e equipamentos americanos, além de capacidades assimétricas no mar (pequenas lanchas de ataque, drones, minas e apreensões de navios), guerra cibernética e eletrônica e ataques aliados com foguetes, drones e morteiros em toda a região.
"Em resumo: a 'arma' mais valiosa estrategicamente para o Irã é a interrupção do transporte de petróleo e mercadorias — no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho — porque internacionaliza o custo do confronto, pressiona os parceiros dos EUA e pode ser intensificada ou atenuada, mantendo a escalada ambígua", resumiu Salamey.
Retaliação maciça
O veterano analista militar russo Yuri Lyamin tem outra visão, afirmando que as ameaças de Teerã de retaliação em grande escala contra alvos dos EUA em todo o Oriente Médio são "a estratégia mais viável", já que "os EUA não temem uma troca limitada de ataques e possuem vantagem em inteligência".
"Os EUA não têm interesse em se envolver em um conflito prolongado e de grande escala. Muitos de seus parceiros e aliados regionais, como Arábia Saudita, Catar e Turquia, temem o mesmo. Portanto, o melhor cenário para o Irã seria evitar [uma escalada] com a própria ameaça de tal conflito", disse Lyamin, pesquisador sênior do Centro de Análise de Estratégias e Tecnologias, com sede em Moscou, à Sputnik.
"Se a dissuasão por meio de ameaças falhar e os EUA atacarem mesmo assim, o Irã terá que agir conforme promete, arrastando os EUA para um conflito em grande escala. Seria difícil para o Irã, mas se resistir aos ataques americanos e continuar lutando, os EUA se encontrarão em uma situação desfavorável e poderão, em última análise, estar preparados para negociações honestas, em vez de suas atuais exigências de capitulação", argumenta Lyamin.
Caso a situação se transforme em guerra, o Irã dispõe de "milhares" de mísseis e drones, incluindo vastos estoques de sistemas táticos praticamente intactos durante a guerra de junho passado, como o Fateh-110, o Fateh-313, o Zolfaghar e o Dezful, além de variantes de alta precisão equipadas com ogivas teleguiadas para ataques a navios no mar.
Casos de longo alcance incluem mísseis como o Khaybar Shekan, sua variante hipersônica Fattah-1, o Haj Qasem e sua variante de ataque de precisão Qasem Basir.
O arsenal de mísseis de cruzeiro do Irã inclui a série Pahev, de baixo custo e fácil operação (alcance de 1.500 a 2.000 km), a família de mísseis antinavio Ghader e as séries Nasr e Nasir, de menor alcance (menos de 100 km).
Os drones incluem a série Shahed (Shahed-131, Shahed-136 e o Shahed-238, movido a foguete), entre outros.
"No geral, isso representa apenas uma parte do arsenal de mísseis e drones do Irã, que é muito vasto", enfatizou Lyamin.