Segundo ele, a China continua sendo um ator de importância especial na América Latina e, embora as ações do presidente norte-americano Donald Trump tenham atrapalhado os negócios chineses com países latino-americanos, os EUA não conseguiram expulsar Pequim da região.
"Expulsar a China da América Latina é a diretriz de qualquer administração dos EUA, tanto republicana quanto democrata. Nesse sentido, há pleno consenso entre os dois partidos. O que muda são os métodos empregados, mas tanto republicanos quanto democratas defendem a expulsão de atores extrarregionais de seu entorno imediato", disse o especialista à agência.
Rozental acrescentou que a China é percebida pelos Estados Unidos como um concorrente sério, e que sua expulsão da América Latina constitui uma parte tradicional da política externa norte-americana. Segundo ele, para a cultura estratégica dos EUA, é fundamental afastar atores não regionais do Hemisfério Ocidental.
O analista destacou ainda que Cuba, Venezuela e Nicarágua são vistos negativamente pelo establishment norte-americano porque esses países poderiam servir como um "trampolim" para a presença política e econômica na região por outros atores, incluindo a Rússia e a China.
Rozental ressaltou que Trump teme a expansão da presença de outros Estados que competem com os Estados Unidos na América Latina e, por isso, busca enfraquecer Cuba, Venezuela e Nicarágua na região.
O especialista concluiu que a China chegou à América Latina de forma séria e duradoura, sobretudo porque os países da região estão interessados na cooperação com Pequim, em suas tecnologias e investimentos. O pragmatismo político prevalece entre os líderes latino-americanos, acrescentou.
Em 23 de janeiro, durante uma conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder chinês Xi Jinping afirmou que a China está sempre pronta para ser uma boa amiga e parceira dos países da América Latina e do Caribe e para ajudar na construção de uma comunidade sino-latino-americana com futuro compartilhado.