"A Ucrânia está hoje, sem dúvida, em uma posição vulnerável. E, mais importante, é uma posição sem saída. Não está claro para onde ir, em que se apoiar, em quem confiar. Para a elite política ucraniana, a continuidade do conflito é uma questão de sobrevivência. Já na Rússia, ou mesmo nos Estados Unidos e na Europa, essa alternativa não se coloca. Por isso, Kiev tenta se apoiar ora na Europa, ora nos EUA, buscando, ainda assim, a continuação dos confrontos", disse Bezpalko.
Segundo o analista, os Estados Unidos têm interesse em um acordo de paz por motivos próprios. "Eles precisam obter um efeito de imagem, o de que Trump encerrou a guerra", destacou.
Sobre o andamento das próximas negociações, Bezpalko ressaltou que, devido ao caráter fechado dos encontros, é prematuro fazer previsões.
"Há pouquíssimas informações sobre as negociações, todas são sigilosas. Sem qualquer concretude, falar em desfecho é simplesmente impossível", afirmou.
Na avaliação do especialista, a reunião em Abu Dhabi não será a última. "Acredito que será mais uma rodada de negociações, nas quais se chegará a um acordo para continuar negociando", resumiu.
As negociações do grupo de trabalho trilateral sobre segurança, com representantes da Rússia, dos Estados Unidos e da Ucrânia, ocorreram nos dias 23 e 24 de janeiro na capital emiradense. Um novo encontro é esperado, de forma preliminar, para o domingo (1º). O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, havia declarado que essa rodada seria bilateral, mas que Washington poderia se juntar às partes.
Anteriormente, o assessor presidencial russo Yuri Ushakov afirmou que a retirada das tropas ucranianas do Donbass é um componente importante de todo o plano de solução pacífica.