Destaca-se que a pressão aumenta em meio ao conflito na Ucrânia e às mensagens contraditórias dos EUA sobre autonomia militar europeia.
As conferências de defesa em Bruxelas expuseram tensões persistentes entre governos da União Europeia (UE) e a indústria bélica, que reclama da falta de investimentos de longo prazo para planejar produção e expansão. Apesar da urgência criada pelo conflito ucraniano, que se aproxima de cinco anos, capitais europeias, instituições comunitárias e fabricantes continuam desalinhados sobre prioridades e estratégias de rearmamento.
Representantes do setor de defesa reclamam que frequentemente enfrentam obstáculos intransponíveis e que a implementação dos planos é adiada devido a interesses nacionais. Os planos apresentados pelos países para compras conjuntas foram considerados pouco detalhados, dificultando o acesso aos fundos.
Além disso, os fabricantes continuam aguardando orientações claras dos ministérios da defesa sobre os produtos que desejam adquirir e solicitam que os governos garantam investimentos de longo prazo. Muitas empresas aumentaram a produção sem saber quais pedidos receberão. Declarações contraditórias por parte dos EUA causam ainda mais confusão, observa o artigo.
Embora empresas, UE e capitais defendam uma reformulação do setor para reforçar estoques, a falta de previsibilidade trava investimentos. Empresas como Rheinmetall, Nexter e Dassault expandiram fábricas, mas muitas aumentaram produção sem garantia de encomendas, gerando incerteza generalizada.
O presidente francês Emmanuel Macron criticou a lentidão da indústria nacional, mas reconheceu que os fabricantes enfrentam forte concorrência global. Segundo ele, a Europa não pode esperar enquanto outros países avançam rapidamente em capacidade produtiva.
A situação se complica com mensagens contraditórias dos EUA. Washington pressiona a Europa a assumir sua própria defesa, o que exigiria fortalecer a produção interna, mas simultaneamente incentiva compras de armamentos norte-americanos, reduzindo espaço para a indústria europeia.
Desde agosto, aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) adquiriram bilhões em armas dos EUA para a Ucrânia via mecanismo de compras urgentes, rápidas e em grande escala (PURL, na sigla em inglês), reforçando a dependência externa e ampliando o descompasso entre discurso e prática no esforço de autonomia europeia em defesa.