Washington alegou que a ação fazia parte do combate ao narcotráfico, da defesa contra ameaças à segurança nacional dos EUA e de um suposto resgate da democracia venezuelana.
Mas, desde então, diversos pontos levantam dúvidas sobre essa justificativa. Confira três pontos que colocam em xeque a justificativa de Washington para a incursão na Venezuela.
Combate ao narcotráfico
Desde setembro de 2025, os Estados Unidos realizaram ataques à embarcações no Caribe e no Pacífico, sob alegações de que transportavam drogas para o narcotráfico. Ao menos 80 pessoas foram mortas.
Aliado a isso, a Casa Branca acusou Maduro de liderar um cartel de drogas chamado Cartel de los Soles. Concomitantemente, o ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández recebeu um perdão presidencial de Trump, mesmo sob acusações de participar de um esquema de narcotráfico que levou mais de 400 toneladas de cocaína para os Estados Unidos.
Até o momento, o o governo norte-americano não apresentou evidências de que as embarcações e os mortos tinham envolvimento com o narcotráfico. Por essa ausência de provas, a Casa Branca está sendo processada judicialmente por familiares das vítimas em tribunais norte-americanos.
Somado a isso, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos voltou atrás na retórica do governo e não acusou Maduro, mantido em cárcere em Nova York, de liderar um cartem de drogas. Em vez disso, a promotoria optou pela acusação de sistema de clientelismo" e "cultura de corrupção" para justificar seu sequestro. O recuo fez crescer a desconfiança sobre a legitimidade da acusação que levou à incursão.
Direito internacional
A incursão dos EUA à Venezuela foi criticada globalmente como um flagrante episódio de violação do direito internacional. Isso porque uma das normas fundamentais do direito internacional determina o respeito à soberania, estabelecendo que Estados não devem usar a força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.
Além disso, como é chefe de Estado, Maduro dispõe de imunidade e não pode ser processado por outro país. A diretriz do direito internacional tem como intuito promover relações estáveis entre Estados, independente de governos.
Questionado sobre o tema em entrevista à mídia estadunidense, Trump defendeu a incursão, afirmando que não precisa do direito internacional.
"Minha própria moral. Minha própria mente. É a única coisa que pode me parar", disse o republicano.
Defesa da democracia
Uma das justificativas apontadas pelos EUA para o ataque à Venezuela foi um suposto resgate da democracia no país. Antes da incursão, o presidente norte-americano, Donald Trump, concedeu inúmeras entrevistas nas quais classificava Maduro como "ditador".
Porém, após a incursão, o líder norte-americano deixou claro que o principal objetivo da ação militar era garantir a retomada do controle norte-americano sobre o petróleo venezuelano. O produto foi estatizado em 2007 pelo então presidente Hugo Chávez (1999-2013), mas Washington permaneceu no país, saindo de fato devido às sanções impostas pelos próprios estadunidenses.
Na mesma semana do ataque, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, declarou que Washington assumirá o controle do comércio do petróleo venezuelano por um período indefinido, após Trump afirmar em entrevista que o país sul-americano entregará aos EUA entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo bruto de alta qualidade.