A pergunta norteia uma investigação feita pelo The New York Times, que revelou que projéteis de alto calibre fabricados em uma fábrica em Lake City, Missouri — pertencente ao governo dos Estados Unidos — estão sendo usados por cartéis mexicanos envolvidos com o narcotráfico em confrontos armados.
Segundo a reportagem, cartuchos de calibre .45 e .50, originalmente projetados para uso militar, foram encontrados em diversas cenas de crimes ligados a ataques perpetrados por organizações criminosas mexicanas. Isso ocorre porque a fábrica, embora seja de propriedade federal, é administrada por empresas terceirizadas que vendem o excedente de produção, aproveitando-se da falta de fiscalização.
Desde o governo do ex-presidente Andrés López Obrador e agora na administração de Claudia Sheinbaum, o México mantém uma batalha legal nos tribunais dos EUA contra fabricantes e distribuidores de armas, acusando-os de negligência comercial.
Embora a Suprema Corte dos EUA tenha rejeitado recentemente um processo de US$ 10 bilhões (R$ 52,2 bilhões) que alegava falta de provas diretas de cumplicidade corporativa, a presidente Sheinbaum declarou semanas atrás que havia pedido a seu homólogo Donald Trump que sua administração endurecesse o combate ao tráfico de armas dos EUA para o México, já que "todos devem fazer a sua parte" na luta contra o crime.