Após a reunião com outros líderes da União Europeia, Macron comentou que o continente tem que estar pronto para desafios futuros, o que inclui alinhamentos e acordos com a Rússia.
"Nós, europeus, também temos questões a discutir, por isso devemos estar à mesa de negociações sobre questões de prosperidade, o futuro da Europa e a sua arquitetura de segurança. Isso deve ser preparado agora a nível europeu para que estejamos prontos para as discussões com a Rússia quando chegar a hora."
Não é a primeira vez que Macron comenta sobre retomar diálogos com a Rússia. Em entrevista à imprensa alemã, o presidente francês destacou que propôs a vários colegas europeus retomar o diálogo com Moscou. Na visão dele, o formato atual das negociações sobre a Ucrânia, em que representantes norte-americanos discutem diretamente com a Rússia as condições de um eventual acordo, sem a participação dos europeus, "não é o ideal".
Na última quarta-feira (11), a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, afirmou à Rádio Sputnik que as declarações de Macron sobre a necessidade de retomar o diálogo com a Rússia parecem mais um jogo da tampinha.
"Agora, não vemos um jogo político profundo, um tabuleiro de xadrez, uma partida e assim por diante, mas sim uma espécie de jogo de azar, de jogo da tampinha. Ou seja, em grande medida, trata-se mesmo de um jogo da tampinha. Todos sabem que há três tampas, a bolinha pode ser mais de uma, é feita de espuma e fica na mão do jogador."
A fala de Macron sobre inserir Moscou nas discussões sobre a segurança europeia acontece pouco mais de um mês após o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciar que britânicos e franceses planejam estabelecer bases militares em toda Ucrânia. Segundo o líder trabalhista, as nações ainda construirão depósitos de equipamentos para as Forças Armadas ucranianas, caso o cessar-fogo seja alcançado.
Ainda de acordo com o premiê britânico, uma série de medidas adicionais foram estabelecidas com os "parceiros de coalizão".
À época, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, já havia declarado que a presença de tropas de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em território ucraniano, sob qualquer bandeira e em qualquer função, inclusive como forças de paz, representa uma ameaça para a Rússia, e que Moscou não a aceitará em hipótese alguma.