A detecção se baseia em observações de uma poderosa explosão espacial de alta energia, catalogada como EP250702a, registrada pelo telescópio espacial de raios X Einstein Probe (EP, na sigla em inglês), da China, de acordo com os Observatórios Astronômicos Nacionais da Academia Chinesa de Ciências. Os resultados foram publicados este mês na revista científica Science Bulletin, avança Ecns.cn.
Buracos negros de massa intermediária, considerados o elo perdido entre os buracos negros de massa estelar e os supermassivos, são difíceis de detectar por emitirem poucos sinais observáveis, a menos que estejam se alimentando ativamente de matéria próxima.
Astrofísicos do Departamento de Física da Universidade de Hong Kong (HKU), membros integrais da equipe científica do EP, trabalharam em colaboração com outros pesquisadores para interpretar o evento. A hipótese principal é que ele represente o momento exato em que um buraco negro de massa intermediária despedaça e consome uma anã branca.
Li Dongyue, pesquisador do observatório, explicou que uma explosão inicial de raios X surgiu quase um dia antes da detecção dos raios gama, indicando que a fonte não se tratava de uma erupção de raios gama comum. Este sinal precoce de raio X demonstra que o "motor" do evento já havia entrado em funcionamento antes do clarão de raios gama, detalhou Li.
Observações complementares realizadas por telescópios ao redor do mundo acompanharam o fenômeno por mais de um mês. Os dados revelaram que seu brilho diminuiu mais de 100 mil vezes em poucas semanas, um ritmo de enfraquecimento muito mais acelerado do que o registrado em outros eventos de destruição estelar conhecidos.
Zhang Wenda, pesquisador adjunto do observatório, afirmou que as erupções de longa duração e a extrema emissão de energia são compatíveis com raros eventos de destruição estelar por buracos negros que envolvem jatos de matéria em altíssima velocidade.
Com base nos dados coletados, a equipe de pesquisa concluiu que a explicação mais provável é a de uma anã branca, um denso remanescente estelar, sendo despedaçada por um buraco negro de massa intermediária dezenas de milhares de vezes mais massivo que o Sol.