Em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo, Grossi destacou que não é candidato de uma determinada vertente política e que conta com o apoio brasileiro no decorrer do processo.
"Em primeiro lugar, eu não sou um candidato de direita, sou um funcionário internacional independente. A Argentina não está apresentando seu ministro das Relações Exteriores ou um amigo do presidente Milei. [...] Entendo que seja tentador dizer que há uma candidatura de esquerda e outra de direita. Isso não ajuda ninguém na América Latina."
A ONU deve escolher neste ano um secretário-geral para substituir o português António Guterres. Regra não escrita, a organização obedece um rodízio por regiões para a administração da entidade, sendo a América Latina a peça da vez.
As duas principais candidaturas são a de Grossi e Bachelet, que terão os nomes discutidos pelos países que integram a ONU e, posteriormente, passarão pela chancela dos cinco países que formam permanentemente o Conselho de Segurança da casa: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.
"Para mim, esta eleição é uma das mais decisivas na história. Primeiro, há uma situação internacional marcada por um nível altíssimo de conflitos e fragmentação. Segundo, há enormes dúvidas, ceticismo e pessimismo quanto à capacidade das Nações Unidas de agregar valor. Dizem: 'Para que serve? Para que existe?' Alguns inclusive afirmam que ela é uma força negativa", explica Grossi.
O presidente da AIEA também destacou que a reforma do Conselho de Segurança da ONU, apoiada por países como a Rússia, depende das nações que integram o comitê.
"São os países que têm de chegar a um novo consenso sobre como fazer isso. Ninguém pode duvidar da legitimidade de o Brasil ter um assento, mas obviamente isso depende de se estabelecer uma configuração aceitável para outras regiões."