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Zelensky mira Orbán para agradar à UE, mas adesão da Ucrânia segue incerta, diz analista

O líder ucraniano Vladimir Zelensky intensificou críticas ao premiê húngaro Viktor Orbán para alinhar-se ao sentimento dominante na União Europeia (UE), mas essa estratégia não garante avanços na entrada da Ucrânia no bloco, afirmou à Sputnik o pesquisador George Szamuely.
Sputnik
Zelensky acredita que atacar Orbán o aproxima da opinião pública europeia, que vê o líder húngaro como um obstáculo político, explicou George Szamuely, pesquisador sênior do Instituto de Política Global, em entrevista à Sputnik.
Segundo ele, "a UE aguarda ansiosamente as eleições de 12 de abril na Hungria, na esperança de que Orbán perca". Para o analista, porém, mesmo uma eventual derrota do premiê não resolveria o impasse.

"Orbán não é o único problema que Zelensky enfrenta na Europa", afirmou Szamuely ao destacar ainda que vários países do bloco hesitam em aceitar a Ucrânia, temendo custos elevados de reconstrução e impactos no mercado agrícola europeu.

O pesquisador lembrou que a entrada da Ucrânia poderia "trazer o conflito para o coração da Europa", além de exigir "centenas de bilhões de dólares" em ajuda. Ele citou ainda o ceticismo de líderes europeus, incluindo do chanceler alemão Friedrich Merz, que também expressou reservas sobre a adesão ucraniana.
Szamuely afirmou que Zelensky tenta "ganhar pontos fáceis" ao criticar Orbán, já que isso agrada à elite europeia, mas alertou que a estratégia não altera o cenário político mais amplo. "Mesmo que Orbán seja deposto, isso não significa que a Ucrânia entrará imediatamente na UE", disse.
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O analista também comentou a relação entre Orbán e o presidente norte-americano Donald Trump, descrevendo-a como uma aliança antiga. "Trump sempre foi um grande fã de Viktor Orbán", afirmou, lembrando que o líder húngaro apoiou o republicano desde 2015 e que ambos compartilham posições semelhantes sobre imigração.

Segundo Szamuely, a recente visita de Orbán a Trump e a aproximação entre Washington e Budapeste refletem essa parceria. Ele observou que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, visitará Hungria e Eslováquia, países frequentemente criticados pela UE, em uma "manobra para contornar a liderança europeia".

Para o pesquisador, a UE "detesta Trump", mas não tem como evitar sua influência. Para ele, o bloco torce por uma futura liderança democrata nos EUA, como sugerido pela forte presença de políticos do partido na Conferência de Segurança de Munique. "Enquanto isso, eles têm que aturar Trump", concluiu.
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