Ciência e sociedade

Novas medições reacendem debate sobre possíveis erros na teoria da energia escura, aponta estudo

Novos dados cosmológicos reacenderam o debate sobre a energia escura, levantando dúvidas sobre se a expansão do Universo ocorre no ritmo previsto ou se discrepâncias recentes resultam de limitações nas medições — e não de mudanças reais nessa força que molda o cosmos.
Sputnik
A energia escura permanece sendo um dos maiores enigmas da cosmologia moderna. Invisível, ela é identificada pelos efeitos que produz, sobretudo a aceleração da expansão do Universo, base de muitos modelos atuais.
Nos últimos anos, porém, físicos passaram a questionar se essa expansão ocorre no ritmo previsto. Resultados recentes sugerem que a energia escura pode estar variando ao longo do tempo, hipótese que teria implicações profundas para a física cosmológica.
Um estudo do físico Slava Turyshev propõe uma explicação menos radical: as discrepâncias podem ser fruto de erros de medição, especialmente em observações de supernovas, fundamentais para calcular distâncias em escalas cósmicas.
O debate ganhou força após a divulgação do segundo lote de dados do Instrumento Espectroscópico de Energia Escura (DESI, na sigla em inglês), que apresentou divergências em relação à Radiação Cósmica de Fundo. Embora alguns apontem para uma possível "evolução" da energia escura, Turyshev alerta que erros mínimos já seriam suficientes para gerar o descompasso.
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Supernovas e o chamado horizonte sonoro — a "régua cósmica" usada para medir distâncias — podem carregar imprecisões que se propagam pelos cálculos. Pequenos desvios nos instrumentos seriam capazes de distorcer resultados em larga escala.
Para contornar essas limitações, Turyshev sugere o diagnóstico Alcock-Paczynski, que evita dependência de medições sensíveis do Universo primordial. Caso as discrepâncias persistam, modelos como o LTIT ou a hipótese da "Travessia Fantasma" tentam explicar possíveis variações reais da energia escura.
A questão permanece em aberto, e novos dados serão decisivos. A missão Euclid já divulgou seu primeiro conjunto de informações, enquanto o DESI prepara seu próximo lançamento, alimentando a expectativa de avanços na compreensão dessa força que molda o cosmos.
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