A medida é uma resposta à decisão do bloco europeu de manter o país centro-americano na sua "lista negra" de jurisdições não cooperantes em matéria fiscal.
O presidente panamenho chamou o rótulo de "injusto" e "discriminatório", ao ressaltar o esforço de adequação legal que o Panamá realizou nos últimos anos.
A restrição afeta diretamente projetos de grande envergadura que o governo de Mulino anunciou, como o comboio de carga e passageiros até à fronteira com a Costa Rica, bem como novas obras em portos e gasodutos.
Apesar de várias empresas europeias terem manifestado interesse em participar nestas licitações, o presidente panamenho foi enfático ao dar instruções a todas as entidades estatais para bloquearem a sua entrada como forma de "defesa da dignidade nacional" face às sanções de Bruxelas.
Canal do Panamá também em disputa
Em 30 de janeiro, Mulino anunciou que a APM Terminals Panama — subsidiária do grupo holandês AP Moller-Maersk assumiria temporariamente as operações em dois portos ao longo do Canal do Panamá, alvo de disputas estratégicas com os EUA.
A Suprema Corte do Panamá considerou inconstitucional o contrato de concessão entre o governo panamenho e a Panama Ports Company (PPC), subsidiária do conglomerado CK Hutchison, com sede em Hong Kong. A decisão foi celebrada por autoridades dos EUA.
Desde que assumiu o poder, o presidente estadunidense, Donald Trump, vem declarando que a China tem influência excessiva sobre o canal, que movimenta uma parte significativa do tráfego de contêineres dos EUA e do comércio mundial.
O governo de Trump prometeu retomar o controle da hidrovia estratégica que os EUA financiaram, construíram e controlaram até 1999. Durante sua visita ao país, Hegseth fez vários comentários sobre a influência da China na América Latina, afirmando que os EUA não buscam guerra com a China, mas pretendem combater as ameaças de Pequim à região. A China reagiu, acusando os EUA de atacar maliciosamente e expor sua natureza intimidadora.