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'Ato simbólico': remoção de monumento à China ilustra divisão do Panamá entre Pequim e Washington

© AP Photo / Arnulfo FrancoMonumento em homenagem à amizade entre China e Panamá antes de ser removido, na cidade de Arraiján. Panamá, 13 de junho de 2017
Monumento em homenagem à amizade entre China e Panamá antes de ser removido, na cidade de Arraiján. Panamá, 13 de junho de 2017 - Sputnik Brasil, 1920, 10.02.2026
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Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, analistas apontam que a retirada de um monumento erguido para simbolizar a amizade entre China e Panamá acendeu a polêmica em torno da disputa de influência no país centro-americano travada entre Washington e Pequim.
O Panamá mantém relações estratégicas tanto com os EUA quanto com a China, especialmente em infraestrutura e logística. Porém há uma forte disputa de influência travada entre essas duas potências no país, que se concentra em torno do canal do Panamá, rota-chave do comércio global.
Em dezembro, a remoção de um monumento chinês erguido em 2004 para simbolizar a amizade entre os países gerou controvérsia para o governo do presidente panamenho, José Raúl Mulino, em meio à crescente pressão dos EUA para conter a influência chinesa na América Latina. O monumento ficava na entrada da via interoceânica da cidade de Arraiján, e a demolição foi ordenada pela prefeita, Stefany Peñalba, que defendeu a medida apontando danos à infraestrutura.
Mulino classificou a remoção como "barbaridade" e ordenou a restauração do monumento no mesmo local, mas a data para a reposição ainda não foi definida.
Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, especialistas analisam qual o simbolismo por trás da remoção do monumento.
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O professor de relações internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Thales Carvalho afirma que a retirada do monumento sinaliza que a prefeita Stefany Peñalba "tomou uma certa posição nessa disputa geopolítica entre os EUA e China".

"É um ato muito simbólico, é um ato que a Embaixada da China já repudiou porque mostra um claro alinhamento."

Segundo ele, o episódio acrescenta um ingrediente na disputa geopolítica global, que é o fato de uma prefeita, ou seja, um ator subnacional, intervir em uma disputa com contornos globais.
"Não foi o governo do Panamá que fez isso. Na verdade, o governo do Panamá, de certa forma, recriminou o que aconteceu. […] essa prefeita, um ator subnacional, chega nessa disputa e acrescenta um novo ingrediente que é muito simbólico e mostra que, na verdade, essa disputa vai muito além do que os governos pensam. Ela alcança também o que os governos subnacionais pensam."
O analista afirma que a medida, obviamente, não agradou à China, assim como as ações dos EUA para conter a influência chinesa no Panamá. Porém observa que Pequim já vinha pensando em alternativas para não depender tanto do canal do Panamá.
"O que provavelmente vai acontecer é a China procurar diversificar parcerias, talvez procurar outros caminhos para não depender tanto do canal do Panamá — talvez linhas terrestres na América do Sul ou na própria América Central, ou algo do tipo", avalia.
Carvalho afirma ainda que na América Latina há uma presença muito forte de elementos culturais norte-americanos, mas que a China vinha buscando ampliar sua influência cultural na região, abrindo, por exemplo, mais institutos Confúcio para ampliar o contato da cultura chinesa com países latino-americanos.

"Na esteira dessa diplomacia cultural chinesa também entra esse monumento. Claro, o monumento vai ser construído também como uma forma de expandir a cultura chinesa na região, e ele era um símbolo da presença chinesa no Panamá."

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Betty Herrera, jornalista panamenha, afirma que a remoção do monumento foi uma movimentação atípica, que pegou de surpresa a população, sobretudo a comunidade chinesa panamenha, que pagou pelo monumento com doações.
"A população no início também ficou surpresa com a ação […]. E logo surgiram outras propostas para que no local se colocasse outro tipo de monumento que fosse muito mais representativo da nacionalidade panamenha."
No entanto, Herrera considera que a medida, embora polêmica, foi tomada por inexperiência da prefeita, não por posicionamento geopolítico. Ela destaca que Peñalba, que tem 32 anos e pouca vivência política, tem poder para retirar o monumento, como prefeita da cidade; e que a estrutura de fato apresentava problemas de conservação.
"Realmente a estrutura não era boa e poderia acontecer algum acidente, só que ela atuou de forma isolada, não comunicou ninguém. […] eu acho que, sim, que ela está falando a verdade, que realmente foi uma decisão. Não teve nenhum tipo de pressão por parte externa, por parte de ninguém, só foi uma decisão individual dela", avalia.
Herrera destaca que o Panamá, embora busque a neutralidade entre China e EUA, tem uma forte influência do segundo, principal parceiro comercial e aliado histórico.

"Desde que os americanos construíram o canal, nós temos um relacionamento muito estreito com os americanos, por conta da forma com que nós comemos, da alimentação, a cultura, o comportamento do panamenho, a música que nós escutamos, o inglês, que é quase o segundo idioma", explica a analista.

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