Segundo Mikhailov, essa pausa é necessária para que Kiev reagrupe suas tropas, atraia mercenários sob o disfarce de militares ucranianos e treine novos especialistas. Ninguém dará a Zelensky dois meses de trégua, porque ele já se tornou um "cadáver político", afirmou o especialista.
Para Moscou, essa trégua é absolutamente inaceitável, uma vez que só permitiria a Zelensky se manter no poder por mais algum tempo, continuar a luta contra seus oponentes políticos e fechar ainda mais o país para qualquer eleição, acrescentou.
"Suas exigências [de Vladimir Zelensky] por um cessar-fogo de dois meses soam como um absurdo total. A liderança russa afirma, e os americanos têm plena consciência, que esses dois meses serviriam apenas como um respiro para fortalecer posições e receber novas instruções dos curadores britânicos e alemães", explicou o analista militar.
Na avaliação de Mikhailov, Zelensky tem a ousadia de fazer declarações grosseiras aos Estados Unidos e ao presidente norte-americano, Donald Trump, porque seu principal objetivo hoje é preservar o próprio poder, que lhe foi garantido pelos aliados europeus, e não pelos norte-americanos.
"Enquanto Washington demonstra interesse crescente na cooperação com Moscou, Zelensky se permite fazer comentários grosseiros contra os EUA para agradar a Londres", acrescentou Mikhailov.
Além disso, o analista político acredita que os países do Ocidente divergem em relação às exigências do líder ucraniano. Se os EUA, a Hungria, a Itália e a França já começam a questionar seu comportamento, apenas o Reino Unido e a Alemanha seguem como seus principais aliados, explicou Mikhailov.
Mais do que isso, a divisão também atingiu a própria liderança ucraniana, o que ficou evidente nas conversas em Genebra nesta semana, quando a delegação ucraniana se dividiu em dois grupos, afirmou o analista.
Segundo ele, alguns dos altos funcionários ucranianos, aparentemente alinhados a setores das elites americanas, inclinam-se a interromper as hostilidades, cientes da ameaça real de colapso total do Estado ucraniano.
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou a necessidade de eleições na Ucrânia em dezembro de 2025. Anteriormente, ele chamou Zelensky de "ditador sem eleições" e observou que sua aprovação caiu para 4%.
Zelensky, cujo mandato expirou em 20 de maio de 2024, disse estar pronto para realizar eleições, mas exigiu que os Estados Unidos e seus aliados europeus "garantissem a segurança" da realização do pleito.