Panorama internacional

Do G7 ao G20, Europa busca se aproximar do BRICS por temor de ser 'deixada para trás'

No fim de visita à Índia, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu o fortalecimento do BRICS, sugerindo que o grupo possa ocupar o espaço do G20 como principal fórum econômico mundial no futuro.
Sputnik
Em sua fala, Lula disse que a prioridade é fortalecer a cooperação entre os membros e ampliar a participação dos países do Sul Global e também mencionou o desejo do presidente da França, Emmanuel Macron, de aproximar o BRICS do G7 na próxima cúpula do grupo, já tendo convidado o Brasil, a Índia e a África do Sul para participar da reunião.
Para o presidente do Brasil, o grupo ainda está em processo de consolidação e precisa ganhar densidade política e social antes de assumir um papel mais central na governança global.
O presidente afirmou que não vê o BRICS como rival direto de outras instâncias multilaterais, mas como parte de um movimento gradual de reorganização do sistema internacional, no qual diferentes fóruns podem convergir no futuro para um arranjo mais amplo e representativo do equilíbrio geopolítico mundial. "Nós vamos caminhando para que possamos criar um único bloco", afirmou Lula. "Estamos dando a cara para um grupo que era marginalizado, que é o Sul Global".

"Quem sabe esse grupo nosso [BRICS] fortalecido vai se juntar ao G20 e quem sabe um dia a gente é só um grupo. Em vez de ser BRICS, a gente tem o G30."

Lula também destacou que o Brasil apoia o debate sobre transações em moedas locais no comércio entre os países do agrupamento. A discussão se encaixa no contexto de instabilidade global em parte pelas tarifas unilaterais de 10% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na avaliação de Isabela Silveira Rocha, pesquisadora do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) e representante do Fórum para tecnologia estratégica dos Brics+, a fala de Lula está em um contexto de ano eleitoral e dialogando com sua base, que costuma apoiar organismos multilaterais internacionais como o BRICS.
Apesar de acreditar que o BRICS poderia incorporar o G20, Rocha pontua que esse movimento não foi iniciado pelo Brasil durante sua presidência em 2025 e haverá uma dificuldade para que isso ocorra no futuro próximo.
Sobretudo, Rocha avalia que a aproximação entre o G20 e o BRICS se dá em um momento em que a Europa e seus líderes — representados através da França, Alemanha, Itália e União Europeia no grupo —, estão tentando não ser "deixados para trás". Especialmente diante da percepção de parlamentares europeus de que o BRICS pode assumir um papel de protagonismo hoje associado à União Europeia.
A pesquisadora acrescenta que o atual cenário de instabilidade internacional também decorre de fatores estruturais ligados ao Ocidente, como o legado do colonialismo europeu e a hegemonia dos Estados Unidos desde o fim da Guerra Fria.

"Se existe uma fragmentação global hoje não é por causa dos BRICS, mas por causa da União Europeia."

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