"Comecei a mapear esses bunkers quando encontrei anúncios imobiliários de edifícios que foram construídos durante a Segunda Guerra, aqui no Rio. A maioria desses bunkers foi construída de forma hermética, ou seja, sem troca de ar, e isso restringe a quantidade de pessoas porque a capacidade desses abrigos varia de acordo com a quantidade de oxigênio que existe dentro deles. Em caso de bombardeio, as pessoas poderiam ficar até cerca de duas horas", relatou Cavallero.
"Em um contexto de possível invasão das Forças do Eixo, certamente os locais que poderiam ser atacados seriam o Centro, que era o coração da capital do país, e a Zona Sul, que representava a elite dessa capital, ainda em expansão e com empreendimentos sendo construídos", analisa.
"Eu já mapeei 50 endereços, no entanto, é possível que eu ache mais anúncios que falem sobre outros edifícios que foram construídos com abrigo antiaéreo. Então, é um número que ainda pode aumentar.", comentou.
"Eu tentei visitar diversos edifícios onde foram construídos esses abrigos e tive enorme dificuldade, porque quem me atendia eram os porteiros e raramente entravam em contato com o síndico. Grande parte dos bunkers estão totalmente descaracterizados por terem se tornado depósito de entulhos, bicicletários e garagem. Em espaço público, temos o Túnel do Leme, que foi adaptado como abrigo antiaéreo durante a guerra", contou.
Defesa do território nacional
"Os militares serviram em pontos estratégicos como em Recife, Fernando de Noronha e no Sul do país. Praias litorâneas como a de Piratininga, em Niterói, era vigiada pelo 3º Regimento de Infantaria. No Nordeste foi construída a base aero naval de Parnamirim, que ficou conhecida como o 'Trampolim da Vitória' pois escoava toda a produção de armamentos para o front do Norte da África e posteriormente a invasão da Europa pela Itália", concluiu o historiador.