"Não é verdade que estamos ajoelhados diante dos EUA e que eles é que mandam na Venezuela. O governo que está atualmente no poder é o mesmo que rompeu relações com eles […]. Se eles mandassem na Venezuela, colocariam no poder a [opositora] María Corina Machado, que entregaria o país, mas ela não está porque não garante a paz na Venezuela", declarou.
Valdez afirmou que a Venezuela nunca se recusou a manter relações comerciais com os Estados Unidos.
O parlamentar avaliou que a nova etapa nas relações bilaterais pode implicar flexibilização das sanções, o que traria benefícios econômicos ao país.
"Qualquer flexibilização ou eliminação de sanções nos favorece, mesmo que não ocorra nas melhores condições ou ambiente, mas nos beneficia de alguma forma", disse.
Valdez acrescentou que Caracas poderá vender seu petróleo a preços melhores e ampliar sua presença no mercado internacional.
Em 11 de fevereiro, Venezuela e Estados Unidos acordaram o estabelecimento de uma parceria produtiva para impulsionar uma agenda energética de interesse mútuo, no contexto da visita do secretário de Energia dos EUA, Christopher Wright, a Caracas.
Na ocasião, o governo norte-americano afirmou que o setor privado dos EUA será fundamental para fortalecer a indústria petrolífera venezuelana, modernizar a rede elétrica e explorar o potencial econômico do país.
Os Estados Unidos realizaram um ataque militar contra a Venezuela na madrugada de 3 de janeiro, quando o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram sequestrados e levados a Nova York para julgamento sob acusações de narcotráfico, das quais se declararam inocentes.
Segundo as autoridades venezuelanas, o bombardeio em Caracas e em outras regiões deixou ao menos 100 mortos e número semelhante de feridos, entre civis e militares.
A ofensiva ocorreu após meses de tensão crescente, iniciada em agosto com uma operação militar dos EUA no Caribe, que incluiu destróieres e milhares de soldados, além de dezenas de ataques contra supostas "narcolanchas", nos quais mais de 150 pessoas teriam sido mortas.
Após o sequestro, os governos dos dois países passaram a negociar uma agenda bilateral que inclui o desbloqueio de fundos venezuelanos, a venda de petróleo e a retomada do diálogo diplomático.