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Mídia: Europa apoia transição na Venezuela, mas evita endossar operação dos EUA contra Maduro

© Sputnik / Aleksei VitvitskyBandeiras da União Europeia (UE) em frente à Comissão Europeia, em Bruxelas
Bandeiras da União Europeia (UE) em frente à Comissão Europeia, em Bruxelas - Sputnik Brasil, 1920, 05.01.2026
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Líderes europeus reagiram com cautela à queda de Nicolás Maduro, buscando apoiar uma transição democrática na Venezuela sem endossar a operação dos Estados Unidos, vista por juristas como violação do direito internacional e motivo de desconforto entre aliados que temem confrontar Washington.
Líderes europeus reagiram de forma dividida à queda do presidente venezuelano, tentando equilibrar o apoio a uma mudança política no país com a defesa do direito internacional, que não ampara a ação norte-americana que resultou no sequestro de Maduro. O continente reiterou que não reconhece a legitimidade de Maduro desde as eleições de 2024, mas evitou endossar abertamente os métodos empregados por Washington.
A postura de Donald Trump em relação à oposição venezuelana também gerou desconforto. Enquanto o ex-presidente dos EUA desqualificou María Corina Machado, líderes europeus continuaram a tratá-la como figura legítima da oposição democrática. Segundo o The Guardian, essa divergência expôs tensões entre o discurso europeu e a estratégia norte-americana.
Especialistas em direito internacional ouvidos pela imprensa britânica observaram que, ao rejeitar a legitimidade de Maduro, os EUA podem tentar argumentar que ele não possui imunidade soberana, abrindo caminho para julgamentos em tribunais norte-americanos, como ocorreu com Manuel Noriega em 1989. Washington justificou a operação alegando legítima defesa e vínculos do governo venezuelano com o narcotráfico.
Juristas, porém, contestaram essa interpretação. Em declarações à imprensa, a professora Oona Hathaway, da Universidade de Yale, afirmou que o narcotráfico não constitui base legal para o uso da força segundo a Carta da ONU e alertou que aceitar tal argumento transformaria a legítima defesa em regra, e não em exceção. Para ela, a ação norte-americana representa uma violação sem precedentes do direito internacional.
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O desconforto europeu ficou evidente em declarações cautelosas. O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, celebrou o fim do que chamou de "regime de Maduro", mas evitou comentar a legalidade da operação. Já aliados ideológicos de Trump, como a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, classificaram a ação como "intervenção defensiva".
Outros líderes preferiram enfatizar a necessidade de moderação e respeito às normas internacionais. A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defenderam uma transição pacífica e democrática, sempre dentro dos limites da Carta da ONU. O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que a avaliação jurídica do caso exige cautela, embora tenha demonstrado "dois pesos e duas medidas" diante de conflitos que se alargam pelo mundo sem qualquer consenso.
A França adotou tom igualmente prudente. Emmanuel Macron celebrou o fim da "ditadura de Maduro", mas não mencionou a operação militar dos EUA, defendendo uma transição liderada pela oposição venezuelana. A crítica mais dura veio do chanceler francês Jean‑Noel Barrot, que classificou o sequestro de Maduro como violação do princípio da não utilização da força, pilar fundamental do direito internacional.
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