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Análise: ataque dos EUA 'faz parte de uma agressão sistemática' contra países produtores de petróleo
Análise: ataque dos EUA 'faz parte de uma agressão sistemática' contra países produtores de petróleo
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O controle sobre recursos energéticos estratégicos, especialmente o petróleo venezuelano, voltou a ser o foco central de uma crise desencadeada por uma... 05.01.2026, Sputnik Brasil
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A confirmação pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um ataque em larga escala contra a Venezuela, que incluiu o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, mergulhou o mercado petrolífero venezuelano em uma incerteza geopolítica com repercussões de longo alcance.Enquanto a mídia americana noticiava que as exportações de petróleo bruto venezuelano estavam completamente paralisadas após os ataques militares de Washington contra o país sul-americano, analistas alertam que esse evento é mais um capítulo em uma luta econômica permanente contra as nações produtoras de petróleo.Em entrevista à Sputnik, Miguel Jaimes, especialista em geopolítica do petróleo e energia, analisa as consequências imediatas e os desafios estratégicos que a indústria petrolífera nacional e global enfrenta em decorrência desses eventos.As consequências previsíveisA indústria, que com grande esforço havia conseguido retornar a níveis de produção superiores a 1,1 milhão de barris por dia, agora enfrenta a necessidade de uma reestruturação completa.Essa reestruturação forçada ocorre em um contexto no qual, segundo a mídia americana, os capitães dos portos não receberam autorização para que navios carregados naveguem, e inúmeros petroleiros, inclusive de parceiros importantes, permanecem imobilizados ou partiram vazios.A medida, descrita por Trump como um "embargo de petróleo" em pleno vigor, busca estrangular financeiramente a nação sul-americana, apreendendo sua principal fonte de renda.De acordo com o analista, a paralisação noticiada pela mídia não é um evento isolado, mas sim parte de um "padrão de agressão sistemática contra os países da OPEP e os produtores de petróleo que desafiam a hegemonia energética de Washington".Jaimes estabelece uma ligação direta entre os eventos na Venezuela e a escalada da violência em outras nações produtoras de petróleo, como a Nigéria.Nesse cenário geopolítico, a Venezuela, detentora das maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, representa o prêmio máximo.Efeitos no mercadoO impacto nos mercados internacionais é imediato e tangível. Jaimes destaca que os principais índices de referência do petróleo "se movimentaram" e estão "em alerta para a alta dos preços", uma reação previsível à violenta interrupção do fornecimento por um ator-chave e à ameaça de uma escalada regional.O especialista lembra que, nas primeiras horas da agressão, Washington alertou que estava preparado para um segundo ataque e fez ameaças semelhantes contra outras nações, incluindo México, Cuba, Nicarágua e Colômbia.Este ambiente, alerta ele, é dominado pelo West Texas Intermediate (WTI), a referência do petróleo americano, em torno da qual orbitam "verdadeiras máfias globais, tentando influenciar se o preço sobe ou cai, de acordo com o Departamento de Energia e a Casa Branca".Resposta da VenezuelaDiante desse cenário de extrema pressão, o Estado venezuelano, por meio de suas instituições legais, acionou mecanismos constitucionais, nomeando a advogada Delcy Rodríguez, até então ministra do Petróleo e vice-presidente Executiva, como presidente interina do país sul-americano. Para Jaimes, essa decisão tem profundo significado estratégico para o setor.A experiência de Rodríguez no setor de hidrocarbonetos é interpretada como um sinal de que a prioridade absoluta do Estado será defender e reativar a principal artéria da economia nacional.O objetivo final dessas agressões, segundo a reflexão de Jaimes, vai além do mero controle físico dos campos de petróleo. Trata-se de uma batalha pelo modelo de governança energética global.Enquanto o establishment estadunidense vê a nação sul-americana como um "palco magnífico" para manobrar e controlar mercados, a Venezuela tornou-se sinônimo de "equilíbrio, prudência, paz, desarmamento e entendimento", argumenta Jaimes.
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américas, rússia, donald trump, delcy rodríguez, cilia flores, venezuela, washington, estados unidos, departamento de energia, opep, wti
américas, rússia, donald trump, delcy rodríguez, cilia flores, venezuela, washington, estados unidos, departamento de energia, opep, wti
Análise: ataque dos EUA 'faz parte de uma agressão sistemática' contra países produtores de petróleo
O controle sobre recursos energéticos estratégicos, especialmente o petróleo venezuelano, voltou a ser o foco central de uma crise desencadeada por uma agressão sem precedentes na América Latina.
A confirmação pelo presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, de um
ataque em larga escala contra a Venezuela, que incluiu o sequestro do presidente
Nicolás Maduro e de sua esposa,
Cilia Flores, mergulhou o mercado petrolífero venezuelano em uma
incerteza geopolítica com repercussões de longo alcance.
Enquanto a mídia americana noticiava que as exportações de petróleo bruto venezuelano estavam completamente paralisadas após os ataques militares de Washington contra o país sul-americano, analistas alertam que esse evento é mais um capítulo em uma luta econômica permanente contra as nações produtoras de petróleo.
Em entrevista à Sputnik, Miguel Jaimes, especialista em geopolítica do petróleo e energia, analisa as consequências imediatas e os desafios estratégicos que a indústria petrolífera nacional e global enfrenta em decorrência desses eventos.
As consequências previsíveis
"Após a terrível situação que o país acaba de vivenciar, um evento sem precedentes, mesmo na América Latina, é fácil imaginar que o mercado de petróleo venezuelano seja afetado", afirma Jaimes, da Venezuela.
A indústria, que com grande esforço havia conseguido retornar a níveis de produção superiores a 1,1 milhão de barris por dia, agora enfrenta a necessidade de uma reestruturação completa.
Essa reestruturação forçada ocorre em um contexto no qual, segundo a mídia americana, os capitães dos portos não receberam autorização para que navios carregados naveguem, e inúmeros petroleiros, inclusive de parceiros importantes, permanecem imobilizados ou partiram vazios.
A medida, descrita por Trump como um "embargo de petróleo" em pleno vigor, busca estrangular financeiramente a nação sul-americana, apreendendo sua principal fonte de renda.
De acordo com o analista, a paralisação noticiada pela mídia não é um evento isolado, mas sim parte de um "padrão de agressão sistemática contra os países da OPEP e os produtores de petróleo que desafiam a hegemonia energética de Washington".
Jaimes estabelece uma ligação direta entre os eventos na Venezuela e a escalada da violência em outras nações produtoras de petróleo, como a Nigéria.
Nesse cenário geopolítico, a Venezuela, detentora das maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, representa o prêmio máximo.
"Agora imagine o que significa para o governo dos EUA atacar as maiores reservas de petróleo do mundo, localizadas no país, de maneira tão traiçoeira e covarde", questiona.
O impacto nos mercados internacionais é imediato e tangível. Jaimes destaca que os principais índices de referência do petróleo "se movimentaram" e estão "em alerta para a alta dos preços", uma reação previsível à violenta interrupção do fornecimento por um ator-chave e à ameaça de uma escalada regional.
O especialista lembra que, nas primeiras horas da agressão,
Washington alertou que estava preparado para um segundo ataque e fez ameaças semelhantes contra outras nações, incluindo México, Cuba, Nicarágua
e Colômbia.
"México e Colômbia também são produtores de petróleo", enfatiza, indicando que a lógica de controle se estende.
Este ambiente, alerta ele, é dominado pelo West Texas Intermediate (WTI), a referência do petróleo americano, em torno da qual orbitam "verdadeiras máfias globais, tentando influenciar se o preço sobe ou cai, de acordo com o Departamento de Energia e a Casa Branca".
Diante desse cenário de extrema pressão, o Estado venezuelano, por meio de suas instituições legais, acionou mecanismos constitucionais,
nomeando a advogada Delcy Rodríguez, até então ministra do Petróleo e vice-presidente Executiva, como
presidente interina do país sul-americano. Para Jaimes, essa decisão tem profundo significado estratégico para o setor.
"Não há evento mais importante para a Venezuela, para seu governo, suas instituições e a indústria petrolífera do que a recuperação do mercado, porque isso significa ter uma posição dominante e importante no mundo dos produtores e consumidores", analisa ele.
A experiência de Rodríguez no setor de hidrocarbonetos é interpretada como um sinal de que a prioridade absoluta do Estado será defender e reativar a principal artéria da economia nacional.
O objetivo final dessas agressões, segundo a reflexão de Jaimes, vai além do mero controle físico dos campos de petróleo. Trata-se de uma batalha pelo modelo de governança energética global.
"A Venezuela tornou-se um obstáculo ao verdadeiro poder global, porque seu espírito se choca com as ambições imperialistas e as confronta."
Enquanto o establishment estadunidense vê a nação sul-americana como um "palco magnífico" para manobrar e controlar mercados, a Venezuela tornou-se sinônimo de "equilíbrio, prudência, paz, desarmamento e entendimento", argumenta Jaimes.
"Nesse contexto, defender a indústria petrolífera nacional torna-se um ato de resistência contra o uso desse recurso como instrumento de guerra e dominação."
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