A nova imagem do Telescópio Espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês) mostra a nebulosa PMR 1 com um nível de detalhe inédito, revelando uma estrutura que lembra um cérebro envolto por um crânio transparente. Localizada a cerca de 5.000 anos-luz, na constelação de Vela, a nebulosa ganhou o apelido de "Crânio Exposto" após observações anteriores do Spitzer, em 2013, devido à sua aparência singular.
De acordo com o portal Space, a PMR 1 foi descoberta no fim dos anos 1990 por Parker, Morgan e Russell, e agora o Webb, usando seus instrumentos como a Câmera de Infravermelho Próximo (NIRCam, na sigla em inglês) e o Instrumento de Infravermelho Médio (MIRI, na sigla em inglês), conseguiu mapear com precisão a composição e a dinâmica dos gases internos.
À esquerda, vemos a imagem da Nebulosa do Crânio Exposto obtida pelo JWST no infravermelho próximo, e à direita, a imagem no infravermelho médio, com comprimento de onda maior. Inúmeras galáxias distantes compõem o fundo da imagem
© Foto / NASA/ESA/CSA/STScI; Image Processing: Joseph DePasquale (STScI)
A imagem mostra uma região central complexa, rica em gases ionizados, envolta por uma camada externa mais fria e fina de hidrogênio, que teria sido expelida primeiro pela estrela moribunda. Mas um dos elementos mais intrigantes é uma fenda que parece dividir o "cérebro" em dois lobos.
Cientistas acreditam que ela pode ter sido aberta por jatos polares emitidos pela estrela em colapso. A imagem do MIRI reforça essa hipótese ao mostrar gás ionizado atravessando o envelope de hidrogênio, sugerindo a orientação do sistema e a força desses jatos.
A grande dúvida, porém, recai sobre a natureza da estrela central. Quando a nebulosa foi identificada, suas características lembravam as de uma estrela Wolf-Rayet — astros massivos e extremamente instáveis, que perdem massa rapidamente e costumam gerar nebulosas antes de explodirem como supernovas. No entanto, até hoje não há confirmação de que a PMR 1 ou sua nebulosa "irmã", PMR 2, realmente abriguem esse tipo de estrela.
A ausência de evidências conclusivas mantém aberta outra possibilidade: a de que a PMR 1 seja, na verdade, uma nebulosa planetária comum, formada por uma estrela semelhante ao Sol em seus estágios finais. Nesse cenário, o astro teria se expandido para a fase de gigante vermelha e, ao perder suas camadas externas, deixado para trás um núcleo que se tornará uma anã branca.
A imagem do JWST, portanto, não apenas impressiona pela estética, mas também reacende debates científicos sobre a evolução estelar e a classificação da PMR 1.