Centenas de manifestantes, familiares de vítimas e representantes do governo federal se reuniram neste domingo (1º) na zona norte da capital paulista para um ato em memória das mulheres vítimas de feminicídio, promovido pelo Ministério das Mulheres no marco do início das mobilizações pelo Dia Internacional da Mulher, em 8 de março.
A cerimônia, que começou por volta das 9h00 na Avenida Tenente Amaro Felicíssimo da Silveira, no Parque Novo Mundo, local onde a auxiliar administrativa Tainara Souza Santos, de 31 anos, foi brutalmente assassinada em novembro de 2025, reuniu familiares, coletivos feministas, artistas e autoridades públicas.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou em seu discurso que a ação não se limita a uma homenagem, mas pretende chamar a atenção da sociedade e do Estado para a persistente violência de gênero no país. "Estamos aqui para reafirmar que a vida das mulheres é inegociável e que a violência de gênero não pode ser naturalizada."
Lopes também lembrou dos números alarmantes de feminicídios no Brasil em 2025, com mais de 1.500 casos registrados ao longo do ano, uma média de quase quatro mulheres vítimas por dia, e reforçou a necessidade da integração entre União, estados e municípios para a prevenção e a proteção das mulheres.
Durante o ato, houve intervenção artística com grafiteiras pintando murais em homenagem às vítimas em muros próximos e a tradicional entrega simbólica de flores.
Familiares de Tainara e de outras mulheres assassinadas participaram da caminhada que percorreu parte da região onde ocorreu o crime.
A mãe da vítima fez um discurso emocionante e pediu que o Estado possa punir devidamente os criminosos de feminicídio. "Nenhuma mãe merece passar pelo que estou passando."
O ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, disse que é preciso que os homens se unam nesta luta para erradicar a violência de gênero. Ele criticou a armamentação da população que, segundo ele, só propicia mais casos de violência.
Também presente em manifestações relacionadas ao tema, a ministra Marina Silva lembrou de episódios de violência política sofridos por ela e disse que as mulheres constantemente passam por situações que exigem muita resistência.