Na avaliação dele, a transferência de quatro bombardeiros estratégicos B-2 Spirit diretamente dos Estados Unidos para atacar alvos no Irã indica uma mudança na qualidade do conflito e amplia a sua escala.
"Esta não é uma guerra entre forças iguais. Não se trata de um confronto regional clássico, mas de um embate entre uma projeção global de poder de alta tecnologia e uma estratégia regional de resistência. Assemelha-se mais a uma demonstração de dissuasão intercontinental com a mensagem 'podemos atacar em qualquer lugar'", observou o especialista.
Karaman ressaltou que o Irã, por sua vez, tenta responder de forma assimétrica, reivindicando ataques com mísseis contra alvos americanos, incluindo o grupo de porta-aviões USS Abraham Lincoln.
Segundo ele, no campo de batalha está se formando um modelo de escalada baseado na troca de sinais e na demonstração de capacidades.
O analista considera as possíveis perdas de militares norte-americanos um limiar crítico. Em sua opinião, a dinâmica futura do conflito dependerá da disposição da opinião pública nos Estados Unidos em aceitar custos de longo prazo.
"Essas guerras raramente se desenvolvem rapidamente, mas se cruzarem a linha certa, torna-se extremamente difícil controlar a sua conclusão", concluiu.
No sábado (28), Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra alvos no Irã, inclusive em Teerã. Diversos veículos de imprensa noticiaram a ocorrência de vítimas civis. O Irã realiza ataques de represália em território israelense e contra instalações militares dos EUA em toda a região.
O ataque israelense e norte-americano matou o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. O país decretou luto oficial de 40 dias.
O presidente russo, Vladimir Putin, declarou que o assassinato de Khamenei foi cometido com violação flagrante de todas as normas da moralidade humana e do direito internacional. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou os ataques de Estados Unidos e Israel e pediu uma desescalada imediata e o fim das hostilidades.