Em sua opinião, tal desenvolvimento de eventos pode criar uma percepção estável de que o processo diplomático foi usado para ganhar tempo. Ele observou que, na prática internacional, tais episódios minam permanentemente a credibilidade das negociações como ferramenta de resolução de crises.
"Se um cenário militar está sendo preparado em paralelo com as negociações, isso inevitavelmente coloca em questão a sinceridade das intenções diplomáticas dos EUA", disse o especialista.
Uskyudar acredita que, a longo prazo, isso tornará mais difícil para Washington construir novos diálogos não apenas com Teerã, mas também com outros atores regionais. Segundo ele, os Estados do Oriente Médio levarão em conta o que aconteceu na véspera ao avaliar as iniciativas e garantias norte-americanas.
Além disso, o especialista ressaltou que o enfraquecimento da confiança nos mecanismos diplomáticos aumenta os riscos de uma maior militarização da região: em uma situação em que as negociações são percebidas como uma manobra tática, é mais provável que as partes apontem para o uso de instrumentos de força, o que aumenta o nível de instabilidade.
No sábado (28), os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra alvos no Irã, incluindo Teerã. Várias mídias relataram sobre vítimas civis. O Irã está realizando ataques retaliatórios em território israelense, bem como em instalações militares dos EUA em toda a região.
Os ataques ao Irã foram realizados apesar das negociações sobre a questão nuclear iraniana entre Washington e Teerã, cuja última rodada ocorreu em 26 de fevereiro, em Genebra.